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I Encontro contra o Aumento da Passagem

Hoje faremos o I Encontro contra o Aumento da Passagem no Rio de Janeiro.

Evento: https://www.facebook.com/events/1499024100380503/?fref=ts.

I Encontro contra o Aumento

Conforme publicamos em um nota pública*, a FETRANSPOR e a prefeitura do Rio de Janeiro pretendem aumentar a passagem de ônibus para R$3,10. De acordo com a nota, há motivos de sobra para que esse aumento não possa se viabilizar, além da constante penalização de usuários e trabalhadores para engordar os lucros dos patrões.

Entendemos que é fundamental o debate dos movimentos sociais e de todos os coletivos sobre a luta para combater o aumento. Caso prevaleça, este deixará um legado de violação do direito de ir e vir da maioria da população. Além disso, dará condições para os empresários promoverem novos aumentos em outras cidades.

Por isso, convidamos para a construção desta luta contra o aumento, num encontro horizontal e coletivo, conosco e vários outros grupos, organizações, partidos e movimentos. A partir dali, decidirá os envolvidos o que fazer diante dessa ofensiva dos patrões. O encontro ocorrerá dia 01/12/2014 (segunda-feira), no Largo do São Francisco (Centro), às 18h. Aguardamos sua presença!

*https://mplrio.wordpress.com/2014/11/13/fetranspor-anuncia-outro-aumento-na-passagem-de-onibus-ate-quando/

Dia: 01 de dezembro, seguda-feira
Hora: 18:00
Local: Largo de São Francisco – Centro

Por uma vida sem catracas!

Panfleto que temos usado para divuilgação do aumento:

Panfleto_aumento

Rafael Braga, um excluído do transporte público

Rafael transporte

Texto escrito pela Campanha Nacional pela Liberdade de Rafael Braga

Rafael Braga Vieira, 26 anos, é a única pessoa condenada no contexto das manifestações que aconteceram e acontecem no Brasil desde junho de 2013. Rafael foi preso no dia 20 de junho do ano passado durante uma manifestação, pois portava material de limpeza. Ele foi condenado por portar material com potencial explosivo.

Rafael trabalhava como catador de latinhas e não era manifestante. Ele estava entre os manifestantes trabalhando e foi preso unicamente por ser negro e pobre. É difícil imaginar a polícia prendendo uma pessoa branca na rua por portar material de limpeza.

Apesar do que tem sido dito, Rafael não era um morador de rua. De segunda a sexta-feira, Rafael dormia na rua porque não tinha dinheiro para pagar passagem diariamente e, diferente da propaganda produzida pelas agências de notícias contratadas pelo Município e veiculadas pelas grandes mídias a valores não publicáveis, ele permanecia na rua para economizar no valor abusivo da tarifa cobrada e, assim, construía seu barraco e ajudava a família com os parcos recursos acumulados. Como diversos outros trabalhadores e trabalhadoras que só voltam para casa aos finais de semana, Rafael é um dos mais de 37 milhões excluídos do transporte público no Brasil devido ao alto custo das tarifas. Ele é o melhor exemplo de como o transporte, que deveria ser público, na verdade segrega e cerceia o direito de ir e vir da população, ao mesmo tempo que ajuda a enriquecer os grandes empresários do transporte.

Rafael Braga, trabalhador informal, negro e pobre, morava no centro da cidade do Rio de Janeiro próximo à Lapa durante a semana e voltava para sua casa em Olaria nos fins de semana. E por carregar objetos para limpar o local em que dormiria, está hoje preso em Bangu.

Rafael, trabalhador urbano excluído do transporte público para poder construir seu barraco próximo a sua mãe e irmãos. Contribua com a campanha de arrecadação de tijolos para que a casa de Rafael seja feita de tijolos.

Copa do Mundo: o caos dos transportes no Rio

Publicamos abaixo a tradução de uma entrevista que demos ao site francês fr.euronews.com. A matéria original pode ser encontrada aqui.

Autor: Pierre Le-Duff
Tradutor: Rodrigo Silva Do Ó

Coupe du Monde : le chaos des transports à Rio

Os grandes eventos esportivos costumam deixar um legado importante às cidades que os sediam, em termos de infraestrutura e transportes. Foi o caso, destacamente, para Atenas, em 2004, ou Barcelona em 1992. O Rio de Janeiro, que abriga o mítico estádio do Maracanã, é uma das cidades-estrelas da Copa que começaram em dois meses e meio, e sediará os Jogos Olímpicos em 2016. Para a ocasião, um projeto ambicioso de mobilidade urbana foi lançado pela prefeitura. Mas, no caso do Rio de Janeiro, essa transformação é feita com dor.

Projetos faraônicos… e controvertidos

Existem três grandes projetos para a mobilidade urbana. O primeiro se chama Transcarioca, um sistema de ônibus rápidos que ligarão o aeroporto internacional, na zona norte, à futura vila olímpica, na Barra da Tijuca, na periferia huppée da cidade, situada no litoral sul. Essa linha levanta vários problemas, a começar pela escolha do tipo de transporte. No trecho já operando, acontecem muitos acidentes, quase todos os dias, porque a pista em que os ônibus circulam em alta velocidade não é separada da estrada por mais que um canteiro de alguns centímetros.

Além disso, as obras trouxeram, como consequência, a expropriação das comunidades pobres que vivem à beira da linha. Como compensação, os moradores dessas favelas receberão uma indenização, mas ela é muito pouca para a compra de um terreno. Eles organizam manifestações, mas elas são pouco divulgadas pela mídia, porque acontecem em bairros muito afastados do centro.

A construção de uma quarta linha de metrô e a de uma ferrovia dizem respeito somente ao centro e aos bairros nobres da zona sul. Por fim, um vasto projeto de reforma da zona portuária, deixada abandonada por muito tempo, provoca engarrafamentos-monstros no centro. O Rio de Janeiro se tornou, assim, em 2013, a terceira cidade mais engarrafada do mundo, ultrapassando a aglomeração tentacular de São Paulo, a capital econômica do país, com 22 milhões de habitantes, conhecida pelo seu trânsito caótico.

A galera dos usuários

Eduardo Paes, o prefeito do Rio, revelou numa entrevista ano passado que está vivendo um “pesadelo”, com a organização de eventos de tal amplitude, com apenas dois anos de intervalo. Um pesadelo, é exatamente o que vivem no dia-a-dia os moradores da periferia que trabalham no centro, quando usam os transportes coletivos. Não é raro que eles passem duas horas por dia em ônibus lotados, nem sempre refrigerados, presos nos engarrafamentos.

Os que usam os trens não estão melhor: eles são velhos, lotados e quase sempre atrasados. SuperVia, a empresa que gerencia os transportes ferroviários do Grande Rio, prometeu trens novos, refrigerados e mais espaçosos: até agora, chegaram a conta-gotas.

O sistema de barcas que liga o Rio a Niterói, do outro lado da Baía de Guanabara, e transporta todo dia milhares de trabalhadores das classes populares, também é objeto de críticas numerosas. Os grandes intervalos entre as viagens provocam filas intermináveis nos horários de pico. Como no caso dos ônibus e trens, a maior parte do trajeto é em condições difíceis.

Um descontentamento que pode se tornar explosivo

Apesar das promessas, as melhorias ainda não chegaram. Andressa Vieira, éstudante e membro do coletivo “Passe Livre”, no Rio – que iniciou o movimento de contestação sem precedentes que abalou o Brasil durante a Copa das Confederações em junho passado, que pretendia ser uma repetição geral da Copa do Mundo – pega todos os dias a barcas para ir à universidade em Niterói. Ela reclama da ausência de transportes coletivos fora do horário de trabalho, nas periferias: “Podemos ir trabalhar, e voltar para casa, mas não podemos sair à noite para ir ao cinema ou tomar uma cerveja, quando moramos nesses bairros”

A estopim das manifestações em junho passado foi o aumento das tarifas dos transportes. Diante das reclamações, as autoridades, num primeiro momento, desistiram de aumentar os preços, mas finalmente o fizeram no começo do ano, e ela foi maior do que o previsto, para cobrir o congelamento.

Hoje, o preço de uma viagem de ônibus é de cerca de 0,95 euros e, para os que moram mais longe do centro, quase sempre é preciso fazer baldeação para chegar ao trabalho. O sistema de bilhete integral é muito raro, e não existe nenhuma possibilidade de bilhete semanal ou mensal. O gasto com transporte pode, então, chegar até a 3,80 euros por dia, para os que moram mais longe do centro, que vêm das classes mais populares. Isto representa uma soma muito importante, quando se sabe que o salário mínimo no Brasil é de aproximadamente 482 euros por mês. O preço da passagem de metrô, que hoje é de cerca de um euro, ainda deve aumentar no próximo dia 17 de maio, menos de um mês antes da Copa do Mundo, lembra Andressa. “Parece que o prefeito e o governador do Estado não têm medo da rua”, conclui.

O Movimento Passe Livre critica os conflitos de interesse na atribuição dos serviços. “O governador do Estado do Rio é amigo íntimo do barão dos transportes”, denuncia Andressa. Jacob Barata, chamado de “rei dos ônibus”, é o cabeça de um grupo que controla três quartos dos transportes da cidade.

O movimento que exige uma melhoria dos transportes públicos está marcando passo. A última grande mobilização contra o aumento das passagens de ônibus, em 6 de fevereiro passado no centro do Rio, terminou com a morte de um câmera, atingido na cabeça por fogos de artifício lançados por um manifestante. Esse acontecimento trágico conseguiu influenciar a cobertura midiática e esfriar novamente a opinião pública sobre o movimento.