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Mais um aumento na tarifa, mais uma jornada que se inicia!

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Mais uma jornada se inicia, que é a luta contra a tarifa de ônibus para R$ 3,40. Em outra nota o MPL-Rio divulgou no que consiste a violência contra a população através desse modelo de transporte público e o que tem por trás na pressão empresarial que é feita para garantir essa tarifa. É um dos maiores aumentos dos últimos 20 anos, assim como ocorreu com os ônibus intermunicipais, trens, metrô e barcas, que já configuram o maior aumento da história. Dessa vez o prefeito Eduardo Paes alegou os gastos com ar condicionado para a sua instalação em metade das frotas até 2016. O pior é que os empresários garantiram tirar 2 mil ônibus de circulação para atingir essa meta, resultando em mais cortes de linhas na cidade e máxima lotação nas frotas atualmente climatizadas mesmo com o insuportável calor de 50 graus no Rio de Janeiro. Ou seja, a pouca frota refrigerada será utilizada para garantir no verão máximo lucro e lotação. Outro argumento que tem sido utilizado para justificar o aumento é a inflação, que é mais chantagem pública para alegar o sucateamento do serviço, devendo recair mais custeio sobre o usuário. Para completar, o prefeito também se pauta pelas gratuidades, que são tratadas como um benefício. Enquanto o passe livre continuar sendo considerado benefício e não direito, as concessões serão tratadas sempre sob ameaça de corte e encarada como justificativa para aumentar a tarifa. Sendo o transporte coletivo, ele deve ser um direito garantido e custeado pelos beneficiados, não pelo usuário.

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Em Novembro de 2014 foi anunciado na mídia o aumento da tarifa, fato que o MPL-Rio já denunciou. Naquele momento, convocamos o I Encontro contra o aumento da Passagem, com o intuito de promover uma articulação entre forças de diversos coletivos, indivíduos e movimentos sociais para tocar ações comuns nessa luta, sendo proposto como um espaço horizontal, apartidário e independente. Sem a projeção partidária de nenhuma sigla ou grupo, mas sem proibir a presença de seus membros. O foco maior é o respeito à autonomia e ao andamento dos coletivos presentes, com a união exclusivamente para a ação. O Encontro é um espaço inicialmente convocado pelo Movimento Passe Livre do Rio de Janeiro, mas é um espaço autônomo, com poder próprio de decisão. Assim, nele houve uma apresentação das propostas e foram encaminhadas algumas atividades públicas, como panfletagens na Central do Brasil. Questões propostas, como a definição de critérios de participação nele, que levaram em conta a composição ou não com coletivos que apoiam a atual base do governo federal, foram adiadas para a sua segunda edição. Essa, posteriormente, ocorreu com um grande esvaziamento, não estando presente as pessoas que propuseram as questões anteriores, o que levou os participantes do II Encontro, por respeito, a não deliberar no lugar delas. Mas deliberou-se ali duas atividades públicas em terminais de ônibus, seguidas de um ato no dia 22 de dezembro. Assim, no momento seguinte, o III Encontro contra o Aumento das passagens serviu para articular a primeira manifestação e estruturar melhor as atividades. As atividades foram reprimidas e seguidas por forças policiais, como na Alvorada, quando militantes foram ameaçados por seguranças, e em Bangu. Assim como o ato, que se concentrou na frente da FETRANSPOR, seguiu para a Central e queimou uma catraca, mesmo sob tentativa de apreensão pela PM.

CATRACAQUEIMA

O IV Encontro Contra o aumento da passagem foi marcado antes da virada do ano, quando se confirmaria o reajuste para R$3,40 no dia 3 de janeiro de 2015. Após isso, houve um crescimento exponencial da visibilidade do encontro, chegando em uma semana, de mil  a 7 mil confirmados pelo facebook. Diante disso e da imediata nacionalização da luta após a confirmação de aumentos na tarifa em diversas cidades, a mídia corporativa rapidamente passou a divulgar o IV Encontro como se fosse uma manifestação convocada pelo Movimento Passe Livre Rio de Janeiro, sem nem consultar a validade dessa informação com seus militantes. De fato, o encontro foi convocado pelo MPL-Rio, mas organizado pelos outros movimentos e coletivos participantes. No Largo de São Francisco, local marcado para realização do encontro, por conta do boato lançado pela mídia e pela inquietação com o reajuste da tarifa de que ocorreria ali um ato, já havia dois ônibus da PM aguardando as pessoas, assim como vários jornais. Com a chuva, os participantes deliberaram ir para o Salão Nobre no IFCS, o que para os convocadores do evento logo foi visto como negativo, pois a intenção desde o 1° encontro é de que seja em espaços de assembléia com funções rotativas. Não como a dinâmica que se tomou por conta do salão, cabendo a seus militantes fazer a inscrição de falas e organizar pelo microfone, formando-se um palanque de disputas entre coletivos, grande parte pelo formato do salão. Ocorreu também o desrespeito de mídias no local, que não atenderam à deliberação do encontro de não fazer registros ali, pois se tratava de um espaço deliberativo.

Vendo a necessidade de que se inicie logo uma jornada de lutas contra esse aumento absurdo e dada a situação de um bom número de pessoas presentes no IV Encontro Contra o Aumento da Passagem, o MPL-Rio propôs um calendário de atividades, mais um ato a ser realizado naquela mesma noite. O que foi rapidamente acolhido e aprovado pelos membros do encontro, não havendo colocações contrárias, faltando somente a discussão do trajeto. Posteriormente, outras questões de ordem foram colocadas, como o retorno à discussão dos critérios de participação no Encontro. Após a demora em decidir o trajeto do ato, os militantes que estavam no microfone lembraram para que se decidisse as propostas, mas as pessoas do encontro passaram a se agitar para logo seguir em manifestação. Depois o microfone foi pego por outras pessoas e organizações, fazendo o MPL-Rio sair dessa função, que pediram para o Encontro decidir se teria mais propostas discutidas, que foi rechaçada a gritos. Isso fez o encontro descer para o ato. Assim, outras discussões não puderam ser encaminhadas, que serão feitas no V Encontro. Sua data infelizmente coincidiu com o ato durante a audiência dos indiciados pela Operação Firewall da Polícia Civil, sendo este fato informado e seu evento criado somente depois da decisão coletiva no IV encontro.

atividades

A luta que está por vir tem tido grande visibilidade e tende a crescer com as mobilizações a nível nacional. O MPL-Rio entende que é preciso haver uma descentralização e uma construção horizontal dela. Por isso que os Encontros contra o aumento nas passagens não pertencem a ele, muito menos a luta em si deve se submeter integralmente a esse espaço. A união de esforços deve se dar pela ação da luta contra os aumentos, unificadas pela pauta clara e objetiva: redução da tarifa para seu valor mínimo estipulado, que é R$2,50. A luta não deve ser recebida pelo poder público como caso de segurança pública e do judiciário, a questão é social e de transporte coletivo, deve ser tratada como em seu âmbito: com a secretaria de transportes e com o atendimento da pauta da redução da passagem. A decisão do aumento e a existência da tarifa é política, que onera o usuário e enriquece o empresário. Por isso entendemos que é preciso ter foco e união de esforços em garantir essa reivindicação. A unificação com outras bandeiras, como a necessária luta pela libertação de presos (a luta por Rafael Braga e pelos 23 indiciados da operação Firewall) são fundamentais, mas garantindo a autonomia dessas pautas, para se ter um trato na reivindicação contra as autoridades. Como é preciso pautar contra a tarifa diante da secretaria de transporte público, também é preciso pautar a liberdade de companheiros no judiciário, evitando a diluição de pautas, que favorece às classes dominantes e cria uma confusão entre os manifestantes. Por isso, vamos prosseguindo. Nossa chamada é para todos que buscam uma sociedade mais justa e sem catracas. E nossa aliança é com o povo mais pobre e que é mais penalizado e que tem gastos com transporte, como é o caso dos crescentes 37 milhões de excluídos que andam a pé por não poder pagar tarifa. A luta é do povo e não pertence a nenhum encontro, frente, partido ou movimento! Vamos seguindo na luta! Com autonomia, ética e compromisso!

Por uma vida sem catracas!
Aumento nunca mais! É R$2,50 pra baixo!
Liberdade para todos os presos!

I Encontro contra o Aumento da Passagem

Hoje faremos o I Encontro contra o Aumento da Passagem no Rio de Janeiro.

Evento: https://www.facebook.com/events/1499024100380503/?fref=ts.

I Encontro contra o Aumento

Conforme publicamos em um nota pública*, a FETRANSPOR e a prefeitura do Rio de Janeiro pretendem aumentar a passagem de ônibus para R$3,10. De acordo com a nota, há motivos de sobra para que esse aumento não possa se viabilizar, além da constante penalização de usuários e trabalhadores para engordar os lucros dos patrões.

Entendemos que é fundamental o debate dos movimentos sociais e de todos os coletivos sobre a luta para combater o aumento. Caso prevaleça, este deixará um legado de violação do direito de ir e vir da maioria da população. Além disso, dará condições para os empresários promoverem novos aumentos em outras cidades.

Por isso, convidamos para a construção desta luta contra o aumento, num encontro horizontal e coletivo, conosco e vários outros grupos, organizações, partidos e movimentos. A partir dali, decidirá os envolvidos o que fazer diante dessa ofensiva dos patrões. O encontro ocorrerá dia 01/12/2014 (segunda-feira), no Largo do São Francisco (Centro), às 18h. Aguardamos sua presença!

*https://mplrio.wordpress.com/2014/11/13/fetranspor-anuncia-outro-aumento-na-passagem-de-onibus-ate-quando/

Dia: 01 de dezembro, seguda-feira
Hora: 18:00
Local: Largo de São Francisco – Centro

Por uma vida sem catracas!

Panfleto que temos usado para divuilgação do aumento:

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Mesmo sob pressão, manifestantes voltam à rua no Rio de Janeiro

Aconteceu mais uma vez a esperada queima da catraca. Com isso ficou o recado de que elas não mais impedirão as pessoas de lutar por seus direitos ou se movimentar pela cidade. Por Passa Palavra (http://passapalavra.info/2014/02/91498)

10 de fevereiro de 2014. Primeiro dia útil da nova tarifa na cidade do Rio de Janeiro. E, como já era de se esperar, estudantes e trabalhadores saem às ruas para reivindicar a revogação do aumento, seguindo desde o final de dezembro um intenso e extenso calendário de luta.

Após a forte repressão policial do ato anterior (06 de fevereiro), que levou a duas mortes, o ato teve o local de concentração alterado para o mesmo lugar onde o confronto com a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) se intensificou. A intenção era demonstrar solidariedade a todos os presos, feridos e mortos, inclusive o cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade e o trabalhador ambulante Tasnan Aciolly — a morte do primeiro utilizada como pretexto para uma campanha de criminalização do movimento capitaneada pelas mídias corporativas e a do segundo, atropelado em decorrência do tumulto causado pela PM na última manifestação, completamente esquecida, demonstrando o tratamento desigual oferecido pela mídia em função de seus interesses já há muito conhecidos.

Se no início o clima estava tenso, devido ao grande número de policiais, tropa de choque e constantes revistas, logo os manifestantes começaram a entoar palavras de ordem que rememoravam a motivação das manifestações: contra o aumento das passagens.

A polícia parecia querer provocar alguma situação de confronto, pois qualquer coisa, o porte de máscaras de gás por exemplo, era tratada como motivo para retirar algum manifestante do aglomerado para averiguação e fotografar suas carteiras de identificação. Também foram apercebidas diversas pessoas (supostos manifestantes) que tiravam fotos dos rostos dos que ali se encontravam.

Uma nota de repúdio à ação repressora da polícia e contra a criminalização dos movimentos sociais foi lida antes de iniciar a caminhada. Desta vez o destino da manifestação não foi a Central do Brasil, almejando sair do roteiro, já que a PMERJ havia se preparado para reprimir o ato caso desejasse voltar até àquele espaço. Assim, decidiram que o correto hoje seria marchar rumo à sede da Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro), que congrega dez sindicatos de empresas de ônibus, sendo os responsáveis pelo transporte urbano e interurbano, além de principais beneficiários com o aumento das passagens.

Ao passar pela Assembleia Legislativa, foi possível ver o contingente de cerca de 50 homens, muito paramentados, fazendo um cordão de isolamento para impedir a sua invasão. Desnecessário, já que a manifestação parou em frente ao prédio da Fetranspor, e lá um jogral foi feito para destacar o papel desempenhado pelas empresas gestoras do sistema de transporte, que, dentre outras coisas, estabelecem a política tarifária.

Após o jogral, aconteceu mais uma vez a esperada queima da catraca, símbolo da segregação espacial urbana. Com isso ficava o recado de que não aceitarão mais a existência de catracas e elas não mais impedirão as pessoas de lutar por seus direitos ou se movimentar pela cidade.

Assim, o encerramento do ato contou com o coro: “que coincidência, não tem polícia, não tem violência.” Na realidade, polícia havia aos montes, mas até o final do ato não surgiram grandes problemas. Depois ficamos sabendo por alguns relatos que já na dispersão a polícia conseguiu causar algum tumulto, sendo uma pessoa presa por estar de máscara e se recusar a mostrar sua identificação. A ironia era que, como de praxe, nenhum dos homens da PMERJ estava com as suas próprias identificações…

Este último ato no Rio de Janeiro demonstra que o movimento se afirma mesmo com toda a pressão feita pela mídia, pela polícia e pelos governantes durante os últimos dias. Se a tentativa criminalização das manifestações não levou ao esvaziamento das ruas, percebe-se que a população não deixará de lutar pelo direito de ir e vir.

Os leitores portugueses que não percebam certas expressões usadas no Brasil e os leitores brasileiros que não entendam algumas expressões correntes em Portugal dispõem aqui de um Glossário de gíria e termos idiomáticos.

Nota de repúdio à violência da PMERJ contra trabalhadores e manifestantes no dia 06/02/2014 e a tentativa de criminalização dos movimentos sociais

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O Movimento Passe Livre da cidade do Rio de Janeiro (MPL-Rio) vem a público se manifestar contra a violência perpetrada pela PMERJ no ato da última quinta-feira (06) e que terminou com o saldo de 28 presos, dezenas de feridos e 1 morte. Sim, houve uma morte na última manifestação, prontamente abafada pela mídia corporativa ao dar único enfoque ao caso do jornalista da Bandeirantes atingido na manifestação.

Desde dezembro de 2013 ocorrem atos no Rio de Janeiro contra o aumento das passagens e em todos estas manifestações, apesar de em um momento ou outro, a PMERJ objetivar causar algum entrevero, no geral se mantiveram alheios às movimentações dos manifestantes e tudo correu bem.

Na última manifestação, após a tranquila passeata pela Avenida Presidente Vargas, chegando à Central do Brasil, a PMERJ resolveu que não seria mais um mero coadjuvuvante no ato e colocou toda sua carga polícial sobre os manifestantes, desencadeando uma onda de revolta popular contra as arbitrariedades policiais.

Após a ação covarde dentro da Central do Brasil (usando bombas de efeito moral e de gás lacrimogênio em ambiente fechado), a PMERJ saiu caçando pessoas a esmo pelas ruas, trabalhadores, manifestantes e quem mais estivesse por ali, novamente jogando bombas à esmo. Nesta situação, o senhor Taslan Aciolly, trabalhador nas ruas centrais da cidade, iniciou uma corrida desesperada pelo meio da avenida para tentar fugir da polícia, algo que muitas outras pessoas faziam no mesmo momento. O pânico causado e a fumaça das bombas tomou conta da via pública e neste momento é que o senhor Taslan Aciolly foi atropelado por um ônibus e teve as duas pernas esmagadas, atingindo artérias importantes do corpo e perdendo muito sangue. Foi socorrido e levado ao hospital Souza Aguiar, mas acabou por falecer no dia seguinte (07).

Uma situação de causa e efeito simples: a PMERJ criou o terror sobre as ruas, levando ao desespero transeuntes, situação que criou o clima indispensável para explicar o porque de correr pelo meio da rua e causando o atropelamento e morte do senhor Taslan Aciolly. Por este motivo, repudiamos a atuação da PMERJ e nos colocamos publicamente em solidariedade com a família e entes queridos deste senhor. Porém, nos causa enorme desalento o esquecimento desta morte. Qual seria o motivo desta situação?

É fato que o ocorrido com o cinegrafista da Tv Bandeirantes Santiago Andrade também nos causa profundo lamento e também nos colocamos aqui em solidariedade com os familiares e entes queridos deste trabalhador. Porém, nos parece completamente evidente que quem desencadeou toda a situação foi a PMERJ e sua irresponsável atuação (jogando bombas de efeito moral a esmo, prendendo e batendo em pessoas aleatoriamente, desencadeando grande revolta entre trabalhares e manifestantes ali presentes). Evidentemente que uma atitude irresponsável por parte de algum manifestante deve ser prontamente criticada, mas a cobertura da mídia corporativa não deixa de demonstrar também os seus objetivos.

Ao qualificar prontamente dois manifestantes vestidos de cinza enquanto “black blocs”, sem antes ter apurado qualquer coisa neste sentido, a mídia corporativa mostra no minimo sua incompetência e, no limite, sua completa parcialidade ante os fatos. É um descalabro tentar vincular uma pessoa à uma tática de ação de rua, em detrimento a preceitos básicos desta tática, já que para ser um “black” bloc é preciso estar de “preto” e, evidentemente, alguém de cinza não compõe o conjunto de pessoas aderentes a esta tática. Mas o pior de tudo é verificar que na visão da mídia corporativa, duas vidas tem valor distinto. E, aparentemente, a vida de um cinegrafista de uma televisão corporativa tem muito mais valor que a vida de um anônimo trabalhador.

Mas não nos deixemos enganar pela aparência forjada, pois a junção de ambos os erros da mídia corporativa nos evidencia um outro aspecto mais importante de sua atuação: ao dar relevo único ao acidente ocorrido com o jornalista, vinculando seu agressor à tática black bloc e ao mesmo tempo esquecendo completamente a morte do senhor Taslan Aciolly, vislumbra-se que mais uma vez o objetivo da mídia cooporativa é criminalizar o movimento de rua e enquadrá-lo sob estritos limites, mostrando sua opção de estar ao lado dos poderes opressores secularmente constituídos (Prefeitura, Governo Estadual e PMERJ).

Sabemos, no entanto, que a PMERJ não tem autonomia nesta decisão, que se deve em sua responsabilidade última ao consórcio do prefeito Eduardo Paes e do Governador Sérgio Cabral, ambos responsáveis pelos aumentos nos ônibus (municipais e intermunicipais) e gestores da máquina assassina da polícia militar. Assim, nos parece evidente que quem acendeu aquele pavio que atingiu o cinegrafista foram os senhores Eduardo Paes e Sérgio Cabral, responsáveis também pelo atropelamento do senhor Taslan Aciolly, sob os quais devem ser computadas o saldo da ação desastrosa e inconsequente da PMERJ.

Mesmo abalados e solidários às vítimas das consequências da atuação policial, não deixaremos de nos valer dos nossos direitos básicos e nos colocar assim contra o aumento. Lembramos ao prefeito e ao governador que o fim das manifestações estão condicionadas à revogação imediata dos aumentos.

Porém, em função dos últimos acontecimentos, a concentração para a próxima manifestação ocorrerá no mesmo local onde o cinegrafista da bandeirantes foi ferido, demonstrando publicamente nossa memória e solidariedade com aqueles que foram atacados no decurso da luta contra os desmandos dos poderes constituídos.

Ninguém será esquecido!
Em repúdio à violência contra trabalhadores e manifestantes no último ato!
Até a vândala e violenta tarifa cair!
Por uma vida sem catracas!

MPL-Rio

Sobre o ato do dia 6 de Fevereiro

O ato convocado por nós contra o aumento da passagem de ônibus para R$3,00, contou com a presença de ao menos cinco mil pessoas, construído por diversos coletivos, organizações e frentes de luta. As duas pistas sentido norte da Av. Presidente Vargas foram totalmente fechadas. A manifestação seguiu calmamente, até chegar na Estação Central do Brasil. Com isso, ela seguiu espontaneamente para ali e a população iria mais uma vez, viver uma experiência de Tarifa zero com o catracaço. Mas a PM (polícia militar) estava com um forte contingente dentro dali, esperando o protesto chegar para atacar, agindo com extrema violência, levando pânico e ferindo gravemente as pessoas. Isso só demonstra o quanto o lucro dos empresários é mais importante do que vidas para o governo e para essa corporação policial. Tal ação desastrosa transformou a manifestação numa revolta popular, que, além de se defender dos ataques da polícia, as catracas, instrumento de violência que impede o direito de ir e vir, foram quebradas e arrancadas do chão. Os PMs jogaram bombas na Central, um espaço fechado, causando convulsão em uma senhora, desmaio e sufocamento em muitas pessoas. Continuaram perseguindo a população pelas ruas atirando e jogando bombas. Durante o confronto, o jornalista Santiago Andrade foi ferido gravemente na cabeça por uma bomba, que está hospitalizado em coma. Um ônibus, que corria pelo motorista estar sufocando com as bombas de gás atiradas pela PM e não conseguindo ver direito o que havia em sua frente, acidentalmente atropelou o senhor Tasnan Accioly,  65 anos, que atravessava a rua fugindo dos conflitos. Segundo notícias, ele faleceu a caminho do hospital.

A Polícia Militar foi criada num estado de exceção e deveria ter sido extinta na volta do Estado democrático de direito. Esta, além da Tarifa Zero, deve ser uma das conquistas de 2014. Por isso, a luta deve prosseguir, pois um cenário em que manifestantes, passageiros, trabalhadores e jornalistas são agredidos é parte de uma sociedade que vive sob domínio de empresários e das catracas que impedem a livre-circulação de pessoas.

Temos o direito de manifestação, mas a polícia nos perseguiu e agrediu até conseguir acabar com o ato contra o aumento das passagens. Um protesto legítimo, uma vez que técnicos do TCM afirmaram que a passagem deve custar R$2,50, por conta do lucro empresarial além do previsto nos contratos, mas o prefeito quer aumentá-la para R$3,00 neste sábado (dia 8).

Gostaríamos de agradecer publicamente o apoio dos advogados que auxiliam voluntariamente as manifestações e reivindicar a soltura imediata dos, ao menos, 28 presos de ontem. Protestar não crime.
Prestamos solidariedade ao senhor que foi atropelado, ao jornalista e demais feridos. Sofremos juntos uma repressão e queremos dizer que o MPL repudia tentativas de cercear a liberdade de expressão e imprensa, assim como lamentamos os prejuízos humanos ocorridos durante os conflitos.

E como nem tudo é tristeza, mesmo com a repressão policial o catracaço não foi impedido. A entrada gratuita foi liberada para todos durante o resto da noite a partir das catracas danificadas. O direito de ir e vir e o passe livre universal (Tarifa Zero) foram garantidos através da revolta popular contra a violência da polícia e contra o sistema de transportes.

Esperamos de coração que estejam todos e todas bem, na medida do possível. Agradecemos a todos os movimentos sociais e pessoas que aderiram à luta.
Não vamos deixar que a repressão e a brutalidade policial vençam a razão. Dia 10 de fevereiro teremos nosso novo ato, 18hs na Praça do Panteão de Caxias, Central. Contra o aumento da passagem e pela redução para R$2, 50!!

Amanhã vai ser maior.
Por uma vida sem grades, sem repressão e sem catracas!

Movimento Passe Livre – Rio de Janeiro

Central do Brasil – 6 de fevereiro

Vídeo sobre a manifestação contra o aumento da passagem ocorrido no dia 06/02 no Rio de Janeiro.

 

Produção: 202 Filmes

Filmagens e edição: Arthur Moura, Felipe Xavier, Diogo Campos

Rio de Janeiro e Goiânia: quinta-feira de manifestação e resistência

Milhares de manifestantes se reuniram hoje em Goiânia e no Rio de Janeiro, enfrentando a repressão em busca de transformações no sistema de transportes públicos. Por Passa Palavra (http://passapalavra.info/2014/02/91412)

Rio de Janeiro

Cerca de 4 mil manifestantes se reuniram ontem (06/02) na Candelária com o objetivo de dizer um sonoro não ao anúncio de aumento nas passagens de ônibus feito pelo prefeito Eduardo Paes na última semana. Anúncio controverso, ocorrido depois de o Governo estadual, pressionado pelas últimas manifestações, ter congelado os preços das passagens de trens, metrô e barcas. Porém, o risco da manobra editada pelo prefeito não se resume a esse ponto.

O anúncio de aumento, programado para ocorrer no próximo dia 8, deu-se após o próprio Tribunal de Contas do Município (TCM) ter declarado por meio de relatório técnico a incongruência de números e planilhas apresentados pelas empresas. Constatou-se a ausência de séries históricas para comparação dos preços de insumos, sugerindo assim o superfaturamento de itens, com fortes indícios da existência de uma “caixa preta” no sistema. Devido a esse fato, o relatório sugeria uma redução no preço das passagens dos atuais R$2,75 para R$2,50. Mesmo assim, o plenário do TCM não endossou o seu próprio parecer técnico e declarou no relatório final ser inapto a decidir sobre o assunto. Tentavam assim se eximir politicamente, mas na prática abriam espaço para o anúncio de aumento, que acabou por ocorrer rapidamente, apenas algumas horas após a publicação do referido relatório. No entanto, essa medida também mostrava certo isolamento do prefeito, que insistiu em anunciar o aumento das passagens mesmo sem embasamento técnico adequado.

Dentre os organizadores estavam vários coletivos e organizações políticas locais, como o Fórum de Luta Contra o Aumento, a AERJ, a Assembleia do Largo, a Assembleia Popular e os MPLs do Rio de Janeiro e de Niterói. No entanto, como se dá em toda manifestação de rua, vários outros grupos e indivíduos se somaram ao protesto e trouxeram novamente ânimo às ruas centrais do Rio. O roteiro do ato começou como todos os outros no verão carioca: sol e calor intensos, concentração com muita música e disposição de luta. Os manifestantes fecharam as duas faixas da Avenida Presidente Vargas sentido zona norte e seguiram entoando palavras de ordem contra o aumento, contra a Copa e pela tarifa zero. O clima, porém, se transformou quando tentaram reeditar o roteiro das manifestações da semana passada (dias 28 e 30). Nas últimas manifestações, como pode ser visto aqui, centenas de trabalhadores aderiram ao movimento e simplesmente pularam as catracas da Estação Central do Brasil, em um clima extremamente ameno, no qual a Polícia Militar (PM) não reprimiu e a população se aproximou mais das pautas trazidas pelos manifestantes. Quadro totalmente distinto do ocorrido ontem.

Logo que os manifestante entraram novamente na Central, iniciaram o já costumeiro “pula catraca”, enquanto outros tentavam quebrar as catracas da estação. A PM entrou em seguida e começou a lançar bombas de efeito moral, causando pânico e correria dentro da estação. Era cena comum o choro e o desespero de trabalhadores que apanhavam e eram encurralados pela polícia. Uma companheira em estado de choque relatou também que uma senhora, após ser agredida pela polícia, teve convulsão. Entretanto a ação truculenta da PM não se limitou a isso. Spray de pimenta e bombas de gás lacrimogênio foram lançadas no ambiente fechado da Central. Além disso, alguns relatos também dão conta do uso na Central de bombas de nova tecnologia, que no ato do lançamento se espalhariam em várias partes e que, quando explodem, fazem um grande clarão, lançando a esmo alguns estilhaços. Especula-se que talvez o repórter da TV Bandeirantes tenha sido atingido durante o ato por uma dessas armas não-letais. Até o momento o boletim médico afirmava que o repórter estava em estado grave e que passaria por cirurgia. Também devido à correria e tumulto, um ônibus atropelou uma pessoa.

choqueEnquanto alguns manifestantes estavam encurralados pela polícia no interior da Central, outros nos arredores da estação tentavam manter o ato, mesmo com toda repressão prosseguida pela polícia. A resistência durou por algumas horas e os relatos da equipe de advogados militantes contabilizam 28 presos, sendo que dois desses teriam sido presos no interior de uma área de controle militar. Apenas esses dois últimos ainda continuam detidos.

Ao final da manifestação já era possível encontrar pelo Facebook a convocatória para a próxima manifestação no dia 10, primeiro dia útil de cobrança da nova tarifa.

Goiânia

Em Goiânia, no dia 06 de fevereiro, também houve manifestação por melhorias no transporte coletivo na Região Metropolitana. Organizada pela Frente de Luta pelo Transporte Coletivo – que congrega organizações como a RECC, o Tarifa Zero Goiânia, o Psol e outras, além de uma grande quantidade de pessoas não pertencentes a nenhuma organização. A manifestação tinha como objetivo pressionar a implementação imediata do passe livre estudantil universal e irrestrito, bem como a volta imediata do programa Ganha Tempo. O programa permite aos passageiros utilizarem até três ônibus em um intervalo de duas horas e meia, pagando apenas uma passagem.

O passe livre foi aprovado na Câmara de vereadores de Goiânia em julho de 2013 e até o mês de fevereiro não havia entrado em vigor. O Ganha Tempo foi planejado para ser uma compensação em decorrência da isenção fiscal dada pelo Governo Federal nos impostos PIS e COFINS, em junho do mesmo ano, às empresas de transporte coletivo. Entretanto, com o congelamento da tarifa no ano passado e a superação da utilização do programa por parte dos usuários, os empresários alegaram perdas financeiras (embora não demonstradas) e conseguiram uma liminar na justiça de Goiás suspendendo o programa. Entre a melhoria nas formas de utilização do sistema de transporte e a manutenção do lucro empresarial, o Poder Judiciário do estado e a Prefeitura de Goiânia (que não se opôs à suspensão) não vacilaram em apoiar a última.

Com o intuito de lutar por essas conquistas do ano passado, os manifestantes se concentraram na Praça Universitária, de onde saíram por volta das 18:00 deslocando-se por algumas avenidas próximas, com o objetivo de chegar ao terminal da Praça da Bíblia, onde dias atrás ocorreu uma manifestação espontânea contra o atraso de ônibus. Mas para isso um trajeto mais longo foi elaborado com o intuito de dificultar um pouco o trabalho de repressão da polícia.

A queima de pneus e lixo foi realizada em alguns pontos do trajeto, e a tentativa da polícia de impedir a queima dos materiais já indicava que haveria repressão na continuação da manifestação. Já na subida da praça do Botafogo os primeiros tiros de bala de borracha foram disparados. Entretanto, os manifestantes não se dispersaram e continuaram a manifestação por mais duas quadras. A menos de um quilômetro do objetivo final da manifestação a cavalaria da PM iniciou seus trabalhos, utilizando cassetetes e cavalos contra os manifestantes, ferindo alguns deles. A tropa de choque apoiava, com tiros de bala de borracha.

Os manifestantes atiraram paus e pedras e conseguiram se refugiar na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG). A PM não entrou, mas em frente ao portão de entrada continuou a atirar contra os manifestantes. Durante vinte minutos os manifestantes esperaram por uma negociação para a saída do local, sem interferência policial. Contra a proposta do comandante da operação policial, de dispersão em pequenos grupos, os manifestantes decidiram sair todos ao mesmo tempo e se deslocaram para a Faculdade de Direito, vizinha ao local anterior. Lá, uma rápida assembleia foi realizada entre os manifestantes, decidindo-se por uma nova manifestação no dia 13 de fevereiro.

A dispersão dos manifestantes foi tranquila nas imediações da faculdade, mas era possível ver a abordagem policial em diversos pontos de ônibus e plataformas de embarque da região onde ocorreu a manifestação. Demonstrando que a repressão não se encerra com o término da manifestação.

Horas antes da manifestação, que exigia nas ruas suas reivindicações, um grupo de 15 entidades estudantis da cidade havia se reunido com a nova diretoria da CMTC (Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo). Pretendendo abrir um canal de diálogo com as instituições oficiais do movimento estudantil e prometendo resolver a situação do passe livre com o Governo do estado, a nova presidente da entidade, Patrícia Veras, afirmou ainda querer entrar em contato com “a população para discutir os problemas, as demandas e as soluções” para o transporte coletivo na Região Metropolitana de Goiânia.

Tal postura indica uma mudança em relação à antiga diretoria, que em nenhum momento se dispôs a dialogar com os movimentos. Mas indica também possíveis problemas que podem surgir da tentativa de institucionalizar uma luta que tem a rua e o controle momentâneo de parte da cidade como seu único local de realização.

Nem tudo é motivo para choro

Apesar da forte repressão, alguns policiais demonstraram que apoiam algumas das ações e reivindicações dos manifestantes. No Rio os policiais da PM aderiram ao catracaço, pulando também as roletas da Central do Brasil, mesmo que para caçar alguns manifestantes espertinhos. Em Goiânia, um policial da PM se posicionou a favor do fim da instituição em que trabalha, apoiando a reivindicação “Pelo fim da PM”, ao segurar um escudo confiscado dos manifestante.