DEPOIS DE CORTES NA PERIFERIA, PREFEITURA VAI TIRAR 35% DOS ÔNIBUS DA ZONA SUL

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A prefeitura anunciou que vai tirar 35% dos ônibus da zona sul do Rio de Janeiro. A alegação é  a presença de linhas sobrepostas que estariam congestionando o trânsito e gerando um aproveito de 50% de suas capacidades em horário de pico. Assim, cairiam de 2.000 para 1.300 ônibus na zona sul com a criação de novas linhas e com trajetos mais curtos. E teriam 77% de suas capacidades. No entanto, isso significaria um aumento das lotações, já que os ônibus estariam em sua máxima capacidade e aproveitamento. Se a frota fosse reduzida a 1000 ônibus, a lotação seria de 100% em horários de pico.  E os congestionamentos são provocados  por carros particulares, não pelos ônibus. Portanto, é um claro resultado da política de favorecimento a esse setor, onde a cada 12 reais fornecidos pelo governo Federal para a indústria de carros e motos, 1 real é investido no transporte público.

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Essa é mais uma medida de favorecimento aos empresários dos consórcios, onde a liquidação da sobreposição de linhas é um projeto desde as licitação de 2010, que garantiu 20 anos de exploração para eles. Elas remetem à “concorrência predatória”, quando cada linha era operada por uma empresa sob o regime como permissionárias. A medida dos últimos editais foi de “racionalizar” o sistema, garantindo monopólio no usufruto do mercado pelos consórcios. Assim, promoveram cortes de linhas e frotas desde a Zona Oeste até a Zona Norte.. Assim, ao invés de acabar com a “concorrência predatória”, como consta nos documentos, garantiram o monopólio e garantia de lucro para certas empresas, as maiores permissionárias anteriormente, ao mesmo tempo em que atuam para liquidar empresas menores. Um exemplo disso é o impasse trabalhista que a Viação Andorinha se encontra, onde rodoviários estão sem receber há dois meses e sua greve denunciou 160 ônibus tirados de circulação. A secretaria municipal de transportes de Picciani logo se prontificou que em caso de falência, o consórcio Santa Cruz, da empresa em questão, iria assumir o mercado. Fora os muitos casos de cortes para favorecer as linhas alimentadoras dos BRTs, como eram os 900 ônibus anunciados de corte pelo prefeito Paes em 2014 para o BRT Transcarioca. Portanto os consórcios não perdem e são favorecidos na concorrência.

comicscontratarifaDepois de diversos cortes nas regiões distantes do centro da cidade. A sobreposição de linhas  na zona sul sendo tratada como mais ônibus e linhas a serem jogadas fora, enquanto podiam repor as linhas cortadas pela cidade, só mostra que o interesse da prefeitura é favorecer aos consórcios e não à população. Levando em conta que o aumento na tarifa para R$3,40 usou o argumento para a instalação de ar-condicionado e a prefeitura alegou tirar 2 mil ônibus para ter metade deles instalados, a retirada de mais frotas leva a mais lotação e mais calor para as viagens, onde metade não terá climatização. E claro, a retirada de ônibus na zona sul prevê a eliminação de 78 linhas (ou 63% do total) e o encurtamento do trajeto de outras 24. Serão criados 29 trajetos e mantidos 21.

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Quanto menos gastos, mais tarifas de R$3,40 e catracas girando por cada cofrinho-ônibus, mais lucro para as contas dos empresários.

Além de cortes de linhas, terão trajetos mais curtos. Isso reduzirá o tempo das viagens, como diz a propaganda da secretaria de transportes, mas trará o aumento do número de viagens. Vai deixar a população dependente das baldeações, que gera mais pagamentos de tarifas, com o Bilhete Único, e com mais lotação por cada ônibus. Conforme já tem ocorrido na Zona Oeste e Zona Norte. E a redução de frota vem acompanhada da demissão de rodoviários, seja pelo menor número de viagens, seja pela extinção do cargo de cobrador pela bilhetagem eletrônica e pela DUPLA-FUNÇÃO. E isso inclui a lotação absurda, considerada como “aceitável” pelos editais de 2010, que é de 6 pessoas por metro quadrado. A situação que tende a piorar, se deixarmos acontecer…

Prefeito Eduardo Paes posa com trocador, enquanto exibe o instrumento que leva ao seu desemprego: a bilhetagem eletrônica.

Prefeito Eduardo Paes posa com trocador em 2010, enquanto exibe o instrumento que leva ao seu desemprego: a bilhetagem eletrônica.

A alegação do aumento na tarifa é de melhora no serviço, o que posteriormente promove novos cortes de linhas. Pois alegam não aproveitar toda a capacidade de lotação, por conta  da redução do número de usuários que possam pagar. E isso posteriormente provoca em mais pressão dos empresários para aumentar de novo. Assim, a posição do município e dos governos é de garantir reajustes anuais da tarifa, com desonerações e subsídios, que é uma forma de “incentivar” à empresa a se manter no mercado. O problema é que os usuários seguem pagando por um serviço que piora e não corresponde às suas necessidades. No aumento para R$3,40 o prefeito Eduardo Paes alegou que seria pagar as gratuidades, numa ação criminosa, já que elas devem ser pagas pelo poder público e não pelos que mais dependem do serviço.  Esse dinheiro é pago principalmente pelos mais pobres, onde moradores da zona oeste, zona norte e Baixada Fluminense são os que mais gastam e mais contribuem com o lucro.

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Além disso, foi provado que 31 diretores de empresas de ônibus do Rio de Janeiro possuem contas no HSBC da Suíça, desviando mais de R$200 milhões para contas com sonegação de imposto e sem registro do Banco Central. Fora as suspeitas de cartel, apontadas pelo TCM (Tribunal de Contas do Município) de irregularidades na licitação como o favorecimento à empresários, incluindo a família Barata. Logo, a tarifa serve para engordar suas contas, enquanto a população é excluída do direito à cidade, seja por não poder pagar tarifa ou pelos cortes de linhas e ônibus. Diante da luta pela revogação do aumento, ficamos com a vitória de Maricá. É a terceira cidade do RJ a mostrar que TARIFA ZERO É POSSÍVEL e é uma necessidade. Com suas 4 linhas principais e gratuitas, todas as frotas são com ar-condicionado. Elas lotam pela necessidade do povo de se locomover, por isso a prefeitura de lá declarou que pretende instalar o modelo em todas as linhas até 2016. É mais que importante a população se mobilizar e lutar para essa proposta se concretize, pois os meios estão dados: basta taxar as grandes fortunas dessas empresas e garantir o transporte como um direito social.

Por uma vida sem catracas!
É o povo que tem que mandar no transporte!

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