Pressão popular x pressão empresarial: o que está em jogo no aumento das passagens em 2015?

contraoaumento2015

O aumento na tarifa de ônibus já foi anunciado e confirmado pelo Prefeito Eduardo Paes, assim como as intermunicipais já foram anunciados pelo governador Pezão em 6%. Usando o pedido da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) de que a tarifa no Rio deveria aumentar para R$3,51 e os cálculos dos contratos de 2010 na cidade, que estipulam um valor menor, a indefinição para o aumento ser maior ainda foi colocada. Foi assim a declaração do prefeito. E provavelmente o aumento será além dos 10 centavos, que já era o dobro da inflação do diesel, caso os empresários tenham vitória nessa intenção. E isso após licitações suspeitas de cartel, em 2010, apontadas pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), que violaram o estatuto das cidades, garantindo 20 anos de usufruto desse mercado pelos consórcios.

Junto com reajustes anuais nas tarifas, há desonerações e subsídios. Os projetos decorrentes disso, como a integral instalação dos Bilhetes Únicos, que garantiu a acumulação antecipada de recursos mesmo sem o uso das passagens pelo usuário, com a “baldeação”(duas viagens no valor de uma tarifa) paga pelo município, e dos BRTs, com verba pública para instalação das estações e corte de linhas antigas para o privilégio das linhas troncais e alimentadoras, já deu enormes fontes de lucros. Fora as recordistas remoções de casas para a sua implementação. Tais medidas já dariam, nesses últimos quatro anos, total legitimidade para instalação de uma revolta popular na cidade, tendo como reivindicação mínima o fim dos contratos e controle popular na revisão do transporte público na cidade.

Moradores da Vila União, de Curicica, na Zona Oeste, protestam contra a remoção de sua comunidade para a instalação do BRT Transoeste. A maior remoção já feita pelo projeto.

Moradores da Vila União, de Curicica, na Zona Oeste, protestam contra a remoção de sua comunidade para a instalação do BRT Transoeste. A maior remoção já feita pelo projeto.

O projeto de cidade a qual está ligado os editais de 2010 “mostrou as caras” com as ondas de remoções, despejos e reformas, desde a “marcha para a zona oeste” até o Porto Maravilha, que é o projeto de revitalização comercial da região portuária. Em 2009, estranhamente ocorreram em torno de 50 incêndios criminosos no Centro do Rio, contra sobrados, depósitos de camelôs, imóveis antigos e ocupações. O mais emblemático foi o incêndio do camelódromo da Central do Brasil, quando no mesmo dia o presidente da Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro), Lélis Teixeira, com o Prefeito Eduardo Paes, foram no local apresentando um projeto de expansão do terminal Américo Fontenelle. Estranhamente também, nos editais de 2010 consta como projeto essas expansões

Camelódromo da Central do Brasil incendiado, em 2010.  Estranhamente durante os projetos de revitalização comercial do Centro, que pretendia retirá-los dali.

Camelódromo da Central do Brasil incendiado, em 2010. Estranhamente durante os projetos de revitalização comercial do Centro, que pretendia retirá-los dali.

Esses fatos são importantes lembrar pois enquanto ocorria essa política de remoções e expansão do mercado imobiliário, onde os imóveis e aluguéis simplesmente triplicaram de preço, quem estava na Secretaria Estadual de Habitação era Rafael Picciani. E atualmente esse mesmo vai assumir a Secretaria Municipal de Transportes, no lugar de Alexandre Sansão. Seria um caso isolado, se não fosse a clara associação das imobiliárias com o lobby do transporte público. Sabe-se que quanto mais caro o transporte público e menos acessível é as zonas centrais da cidade, mais caro se torna os imóveis. Não é a toa que em muitos anúncios de imóveis, é citado as linhas do entorno, pois isso é via de valorização. Por outro lado, a exclusão das zonas centrais promove demanda para o transporte público. As pessoas isoladas nas periferias se tornam os maiores pagantes e contribuintes, pois são submetidas a pagar tarifa e lotar as linhas que as deslocam da periferia, para enriquecer aos empresários.

Provavelmente o “bom serviço” como secretário estadual de habitação de Picciani rendeu frutos aos empresários, colocando-o como secretário municipal de transportes.  Um bom exemplo é  a ODEBRECHT, que é uma das principais empresas envolvidas nas OUCs (Operações Urbanas Consorciadas), como o Porto Maravilha, que está diretamente envolvida na demolição da Perimetral. E como proposta de escoamento de trânsito, pretende construir um viaduto ligando a Ponte Rio-Niterói à Linha Vermelha. Tal projeto pretende passar por cima de casas e remover pessoas do Complexo do Caju. Lembrando que na noção urbanística, viadutos onde passam degradam o espaço, promovendo escuridão, poluição sonora e aérea, que leva à desvalorização comercial e logística. Logo, o interesse no fim da Perimetral fica claro quando a OUC local pretende instalar ali pontos turísticos, agências, escritórios e imóveis. Os despejos, incêndios e ataques violentos para expulsar as ocupações populares da zona portuária geram o mesmo assombro no futuro das famílias do Caju. E para completar o ciclo de valorização mútua entre o mercado imobiliário e o lobby do transporte público, a Odebrecht é dona da Ponte Rio-Niterói e dos pedágios, e da SUPERVIA, que no momento lucra milhões por mês com o trem e com o teleférico no Complexo do Alemão.

CAJU

Moradores do Complexo do Caju se organizam pela moradia, contra o projeto de remoção de suas casas por conta do viaduto que ligará a Ponte Rio-Niterói à Linha Vermelha. Feito após a demolição da Perimetral. Planejado pela ODEBRECHT, empresa que lucra com mercado imobiliário e controla a Ponte.

Veio Junho de 2013, quando mais de 100 cidades no Brasil revogaram os aumentos nas tarifas após a maior revolta popular no país dos últimos 20 anos. Conforme o Movimento Passe Livre apontava, a questão do transporte público é uma pauta central na luta por direito à cidade. A cidade só existe para quem pode se deslocar por ela. Junto com o direito à habitação, o direito ao transporte está ligado à noção de segurança social mínima para a maior parte da população. Tanto que os 37 milhões de excluídos desse serviço no Brasil, sofrem com desemprego e muitos passam a dormir nas ruas do Centro, por não poder retornar à suas casas. Esse é o caso de Rafael Braga Vieira, que trabalhava nessa região e dormia ali por não poder pagar tarifa. Até ser preso e agredido por Policiais Militares durante a manifestação de 20 de Junho em 2013, que foi acusado de sua garrafa de Pinho Sol ser um explosivo, tornando-se o ÚNICO condenado das manifestações no Brasil. Numa clara criminalização do judiciário contra os mais vitimizados pelo modelo de cidade. Mas antes disso, os prefeitos de São Paulo e Rio de Janeiro julgaram ser possível alegar a inflação para justificar o aumento nas tarifas em maio de 2013 e não previram a revolta. Ou seja, acharam que seria aceitável aumentar a tarifa como suposta política de contenção da inflação dos preços em outros produtos. Mas o povo foi mais inteligente e não tolerou mistificações dos fatos, pois o aumento do custo de vida é um fenômeno crescente nas capitais brasileiras, como é o aumento das contas de luz logo após o anúncio do aumento da passagem de ônibus. Portando a revolta foi contra o cerceamento do direito fundamental à cidade e ao transporte público, que a tarifa representa.

catracaATOqueimada

Queima da catraca é um ato simbólico, que mostra que esse instrumento de exclusão e violência, que promove a tarifa, deve deixar de existir.

O Movimento Passe Livre Rio de Janeiro surgiu durante o turbilhão de Junho. Seus membros participaram da jornada, cujo espaço organizador principal era o Fórum de Lutas contra o Aumento da Passagem, que depois de seu vertiginoso crescimento, com duas mil pessoas por reunião, desdobrou-se em outros, como a Assembléia Popular do Grande Méier, Assembléia do Largo, Assembléia popular (vinda da ocupação da Câmara dos Vereadores contra o golpe parlamentar na CPI dos Ônibus) e a Frente Independente Popular. Reivindicam essa origem por entenderem que são só mais um movimento social em luta na cidade do Rio, mas trazendo a necessidade de uma organização permanente de luta por transporte público e pela tarifa zero, com os princípios da horizontalidade, apartidarismo, autonomia, independência e anti-capitalismo. Conforme seus militantes já denunciavam, afirmando a importância da luta permanente pela mobilidade urbana, depois de Junho viria um outro aumento, pelos apontamentos do prefeito Paes, contrários aos subsídios como meio de congelamento da tarifa.

Manifestações de Dezembro de 2013 a fevereiro de 2014 foram puxadas contra o aumento da tarifa pós-Junho, não só pelo MPL-Rio, mas pelas assembleias locais e pelo Fórum de Lutas Contra o aumento da passagem, que retomava suas atividades nesse momento. Assim, diversos espaços de organização pautavam ações, o que gerou um progressivo momento de lutas com “catracassos” promovendo a Tarifa zero por algumas horas na Central do Brasil, ocupações de rua e atividades em terminais de ônibus. No entanto, a tática da revolta popular chegou ao seu limite nesse momento, quando a repressão policial promoveu um massacre na Central do Brasil no ato contra o aumento para 3 reais, do dia 6 de fevereiro, para proteger as catracas e impedir que os manifestantes e passageiros entrassem sem pagar. Isso gerou um caos no entorno, que provocou a morte de Taslan Acioly, atropelado por um ônibus que fugia das bombas de gás lançadas pela polícia militar e a do cinegrafista Santiago Andrade, por um rojão que atingiu sua cabeça. A morte do último foi usada como um chamariz pela mídia corporativa para criminalizar as manifestações e criou-se nas prisões preventivas de Caio e Fábio, acusados  de lançar o rojão, um clima de desmoralização dos protestos. Como aconteceu pelo boato lançado pelo ex-advogado dos dois, de que eles tinham sido pagos para realizarem tal atitude, numa suspeita estratégia de defesa jurídica. E atualmente eles estão presos, sofrendo torturas e sendo acusados de homicídio doloso, como se tivessem planejado tal tragédia.  Essa manobra jurídica e midiática tem uma clara intenção de criminalizar e legitimar mais repressões policiais. Mesmo que tenha sido essa que gerou os acontecimentos.

Repressão da Polícia Militar, no ato de 6 de Fevereiro contra o aumento da passagem. Gerou as tragédias que promoveram mais criminalização.

Repressão da Polícia Militar, no ato de 6 de Fevereiro contra o aumento da passagem. Gerou as tragédias que promoveram mais criminalização.

Não por coincidência, a prefeitura promoveu o aumento na passagem de ônibus após esses eventos. Assim o MPL-Rio convocou mais uma manifestação no primeiro dia útil depois da tarifa aumentada a 3 reais, onde a prefeitura passou por cima do parecer técnico do TCM que dizia que ela deveria reduzir para R$2,50. A manifestação do dia 10 queimou uma catraca em frente à Fetranspor, após ser seguida pela Polícia Militar desde a Central. Outra manifestação foi puxada, mas o clima de repressão política e desmoralização pela mídia corporativa fizeram elas perderem o fôlego. A luta pela libertação de presos e contra tal criminalização tragou grande parte da esquerda nesse momento, gerando mais dificuldades para pautar a revogação do aumento na tarifa de ônibus.

O MPL-Rio se envolve na luta pela libertação dos presos na repressão policial contra as manifestações, assim como compõe a Campanha pela liberdade de Rafael Braga, que está sofrendo represálias na prisão e recentemente tentou fuga, com os agentes penitenciários fazendo ele passar o natal de 2014 no regime da “solitária”. Nenhuma pauta é menor ou maior que outra, mas se entende que na luta por transporte público é preciso ter um foco reivindicativo e uma pauta clara a ser conquistada. Portanto, é preciso lembrar que tais prisões ocorreram por causa da luta contra o aumento da tarifa e por transporte público. Uma estratégia dos empresários e governos é promover prisões para desviar o foco dos movimentos a lutar por sua liberdade, mas deixando de lado a reivindicação inicial. Por isso, não se deve perder o foco da luta, mesmo que se peça a libertação de companheiros e companheiras. Por isso, até hoje se faz o chamado nos atos convocados com foco por transporte público, com uma perspectiva à médio prazo de conquista da tarifa zero. Mesmo que ontem, na manifestação contra mais um aumento da tarifa, prometido para 2015, tenha se levantado os 23 indiciados e perseguidos da Operação Firewall e a atual prisão de Igor Mendes, o foco da luta por transporte público é mantido. E a repressão policial demonstra que a intenção é proteger os empresários, contra a reivindicação popular pelo fim da tarifa nos ônibus.

Ato contra o aumento, já anunciado pela prefeitura para 2015. Na Central do Brasil, a Polícia Militar tentou apreender a catraca do MPL-Rio após ser queimada.

Ato contra o aumento, já anunciado pela prefeitura para 2015. Na Central do Brasil, a Polícia Militar tentou apreender a catraca do MPL-Rio após ser queimada.

Em fevereiro, o Prefeito Paes fez uma medida, aprovou o aumento para 3 reais e o passe livre universitário para estudantes de baixa renda. Percebemos isso como uma tentativa de neutralizar as manifestações, como se esses estudantes tendo somente quatro passagens por dia, teriam motivos para não reivindicar transporte público e a tarifa zero. Aqui no Rio existe o passe livre para estudantes de escolas públicas desde os anos 90, fruto de lutas desses tempos e mantido na década passada nos protestos contra a sua revogação, de 2002 a 2007, mesmo assim não foi suficiente para evitar a revolta popular de Junho de 2013 contra a tarifa. Conforme sempre denunciam: enquanto o transporte for tarifado e controlado por empresários, qualquer gratuidade vai ser um mero benefício e não um direito. Essas de agora são fruto da pressão popular, mas não é suficiente para fazer a luta parar. O mesmo está sendo feito atualmente em São Paulo, pelo prefeito Haddad, que já confirmou o aumento da tarifa para R$3,50, já criticado pelo Movimento Passe Livre São Paulo, que convocou seu primeiro grande ato contra a tarifa. Da mesma forma que os compas de lá, percebemos a medida como uma manobra empresarial de tentativa de justificação do aumento da passagem. Os estudantes de escolas públicas aqui do Rio, tem o seu passe livre limitado pelo RioCard, da mesma forma ocorre com universitários atendidos pelo crítério social, com 4 passagens por dia, o que leva a muitos que trabalham e estudam a ter que pagar o restante das viagens do próprio bolso. O Rio Card é um grande favorecedor dos empresários, pois garante pagamento antecipado da tarifa e dos subsídios governamentais para as gratuidades, com os recursos centralizados neles mesmos. Pois, o Rio Card é de uma empresa da  família Barata.  Sem falar que aqui também está havendo demissão de rodoviários, reajuste salarial de 10%, que é muito menor do que nos contratos e a implantação dupla-função, favorecida pela bilhetagem eletrônica, que sobrecarrega motoristas e desemprega estruturalmente trocadoras e trocadores. Portanto, não cabe o  argumento de reajuste salarial aos rodoviários, o mesmo que está se usando aqui, em São Paulo e provavelmente em outras cidades.

Atualmente, a Frente Nacional de Prefeitos declarou os aumentos serem inevitáveis, mesmo propondo o passe livre como benefício com corte social, baseado em diversos critérios para não fornecer à toda a população. Mesmo que seja fruto das pressões populares, isso se trata de uma manobra empresarial para deslegitimar o óbvio apontado pelas ruas em 2013: TARIFA ZERO UNIVERSAL, PARA TODA A POPULAÇÃO. A alegação do presidente da Frente, José Fortunati, é que não é possível às prefeituras arcarem com o congelamento das tarifas e, portanto irão aumentá-las nas capitais e em outras cidades. Os orçamentos não dão conta dos subsídios necessários para promoverem isso, pois entra-se no ciclo vicioso, já que o custeio é feito em cima dos usuários ao pagarem tarifa, precisa-se cada vez mais de investimento público para cobrir esse valor. No entanto, com os aumento nas tarifas ocorrendo periodicamente, as desonerações e compensações governamentais continuam. Ao mesmo tempo que não impedem novamente outros aumentos de ocorrerem. Essa situação é emblemática, principalmente após relatórios técnicos no Rio de Janeiro, como o do TCM, que declarou que a tarifa deveria REDUZIR para R$2,50, pois as contas e os custos apresentavam um lucro além do previsto nos contratos. E claro, as desonerações cresceram, como os 50% de desconto no IPVA dos ônibus em Fevereiro. E o presidente do TCM declarou que estavam fazendo análises sobre as contas da FETRANSPOR, onde o aumento para 3 reais seria necessário para manter o “equilíbrio econômico-financeiro”, que é na verdade a hegemonia política das empresas. E quando isso estivesse pronto, após um ano a partir de fevereiro de 2014, iriam implementar medidas de recuperar os valores. A redução da tarifa é uma possibilidade nesse contexto, ele declarou. Mas cadê a falta de dinheiro para o custeio e a necessidade de aumento da passagem aqui, se nem a análise do TCM ficou pronta?

1662209_217506808453003_1576382190_n

Enquanto o custeio recair sobre o usuário e excluir os crescentes 37 milhões de pessoas através das catracas, haverá o ciclo de aumentos na tarifa. Pois os empresários fazem a chantagem de sucatamento do serviço, exigindo e alegando o reajuste como forma de arcar com os custos. Em contrapartida, promovem a mesma redução de frotas e cortes em gastos pela redução de usuários que podem pagar, o que exige novos aumentos. Assim, os subsídios somente servem para manter o mesmo sistema de transporte público e cobrir o valor da tarifa e o lucro empresarial. No entanto, isso adia uma resolução da crise de financiamento, que se reflete na crise de mobilidade urbana. Para o MPL-Rio, uma coisa é clara, os empresários vão pressionar a sociedade para garantir o seu projeto, independente do que for. A declaração da Frente Nacional de Prefeitos só mostrou como é  a articulação da burocracia estatal, que é defender a proposta dos empresários como única. Na fórmula subsídio, a “bolsa empresário”, ou aumento na tarifa não existe oposição, enquanto continuar a existir catracas. Ao existir confusão do custeio da tarifa como custeio real do serviço, as verbas públicas servirão para manter o sistema, no máximo promovendo congelamentos. Por isso que as propostas vindas dessa tecnoburocracia são falsas. A solução vem dos debaixo, da população que se revolta e pressiona contra a atual condição. Quanto mais  os prefeitos dizem não ser possível dar verbas públicas para congelar tarifas, fica claro que a solução é uma mudança estrutural. É preciso separar a tarifa do custeio real e municipalizar o sistema. Assim o poder público teria condições para um pagamento por rodagem e não por passagem a cada catraca que gira. Assim, a solução é a TARIFA ZERO, que iria socializar os custeios, que não devem mais recair sobre os mais pobres e ao usuário. Deveria ser feita uma reforma de tributos e impostos, onde se cobraria mais dos mais ricos. Isso iria garantir um serviço de qualidade e com condições para servir ao controle popular, pois as verbas seriam para atender à população, não à tarifa e ao lucro empresarial.

contraoaumento2015-2

Imagem do ato contra o aumento da tarifa em 2015, para R$3,10 ou mais

O que está em jogo no aumento de 2015 é o seguinte. É preciso fazer mais pressão popular, mas tendo em vista que ao invés da declaração dos empresários e prefeitos de que é impossível congelar tarifas dando mais verba pública, é preciso reduzir a tarifa cada vez mais, tirando do bolso dos empresários e dos ricos, até que ela chegue a ZERO e deixe de existir. Mas os empresários não dormem no ponto e vão lutar até as últimas consequências para defender seu domínio. A pressão empresarial é forte e a única forma de fazer frente a ela é com a pressão popular. Eles propõem a aliança com instituições e burocracias para defender sua política, onde o subsídio é a principal medida de compensação e as gratuidades limitadas são a única ação social que podem ceder. Pois tem seu poder defendido por um amplo corpo institucional e técnico, que defende as tarifas como única forma possível de custeio. A realidade é que não se trata de um problema técnico, mas político. Há diversas formas de custear a tarifa zero e por um fim nesse modelo excludente de transporte público, mas eles pressionam e cada vez mostram que se trata de um problema sócio-político mais forte. O argumento da falta de recursos e da necessidade de cobrar tarifas se mostra cada vez mais falso, mas se traduz em algo brutal: a violência. Essa é o único e último argumento de classes dominantes, quando querem afirmar seu domínio e lançam o judiciário e a repressão policial contra o povo em luta.

PMstomandocatraca

Polícia Militar tenta apreender a catraca do MPL-Rio, após ser queimada no Terminal da Central do Brasil, na Av Presidente Vargas. Durante o ato contra o aumento da tarifa em 2015.

As instituições e burocracias são um grande elemento da pressão empresarial, pois é controlando a execução de suas medidas e leis  que os empresários controlam a sociedade e mantém seu domínio. O MPL-Rio se propõe ao diálogo com a institucionalidade e sempre defende medidas vindas dali que julgue progressistas. No entanto, é na ação direta e na organização popular que deposita suas forças. A luta institucional é limitada e insuficiente, o que muda a realidade de fato é a mobilização e luta por fora dela, os debaixo se organizando para mudar a política dos de cima. O governo deve servir ao povo em luta, para que sua burocracia tenha seu poder substituído pelo controle popular.  É mantendo o poder burocrático que os empresários afirmam suas políticas e vetam a população da gestão sobre um serviço essencial para suas vidas. É só com a pressão popular e nas ações diretas que as declarações dos prefeitos se mostrarão erradas. Pois é botando em prática a inviabilidade do atual modelo de transporte, apresentando a solução da TARIFA ZERO  e da mobilidade urbana à serviço do povo e gerido por ele, que se consegue impedir os ataques dos patrões, que será o aumento na tarifa em 2015. Um exemplo do limite da disputa institucional e da necessidade de ação direta, é que em Maricá os empresários dos ônibus fizeram uma ação jurídica contra as linhas gratuitas e municipalizadas que circulam por lá. Isso fez o prefeito de lá convocar uma manifestação contra tal medida, o que só mostra que se o povo não tomar as rédeas do processo, não se organizar e tomar para si a luta além das instituições, provavelmente a pressão empresarial irá ganhar, por meios legais ou ilegais. Pois a própria prefeitura tem seus limites, seus compromissos institucionais e não conseguirá levar essa luta até o fim.

maricaTZ

Empresários em Maricá fazem ação jurídica contra as linhas com TARIFA ZERO. Mas a prefeitura convocou uma manifestação para o dia 27 de dezembro, às 9h na Rodoviária de Maricá, contra tais pressões empresariais.

O aumento de 2015 vai representar o coroamento das declarações da Frente Nacional de Prefeitos e afirmará a política excludente de cidade, que tem sido aprofundada com as remoções de casas, instalação de modais e projetos empresariais nos últimos 8 anos. A luta contra o aumento deve se aprofundar, aumentar suas alianças, construir-se com horizontalidade, respeito e autonomia. É preciso que os governos e empresários botem a mão na consciência e se lembrem de Junho de 2013, quando no início o reajuste da tarifa também era inevitável, alegando-se a inflação, e no final do mês a revogação que se tornou uma obrigação para garantir qualquer governabilidade. Assim ocorreu em mais de 100 cidades. É preciso entender que agora o povo não vai tolerar outro abuso do lobby do transporte público. Não é aceitável o argumento da falácia de não haver meios de congelar a tarifa ou subsidiar. E nem haverá tolerância com o discurso da inflação, que é uma chantagem de ameaçar a piora do serviço. O fato é que o custeio não pode recair sobre o usuário, se não se mantém a exclusão e injustiças sociais. Se é difícil manter os congelamentos, que se pense numa socialização dos pagamentos, na revisão dos custos e com outro transporte público, com Tarifa zero.

A luta já toma uma amplitude nacional, com atos em Araxá (MG), Florianópolis (SC), Salvador(BA), Petrópolis (RJ), Aracaju (SE), São Paulo (SP), Niterói (RJ), Guarulhos (SP), Belo Horizonte (MG), Uberlândia (MG), Joinville (SC) e em outras cidades.
Por isso, o MPL-Rio convoca todas e todos para se manter na luta e construir uma perspectiva coletiva de organização. Nesse dia 5 de Janeiro, teremos nosso IV Encontro contra o aumento da Passagem. No Largo de São Francisco, em frente ao IFCS. Às 18h. Dia 5 de Janeiro de 2015 !

Aumento nunca mais! Pelo fim da tarifa!
Por uma vida sem catracas!

atoaumento

Anúncios

3 Respostas para “Pressão popular x pressão empresarial: o que está em jogo no aumento das passagens em 2015?

  1. E o Rio, como ficamos?
    Lá não tem royalts de petróleo e vai liberar passe livre para estudante em todo o estado e capital.
    E nossos estudantes no RJ ?
    ————————————————————————————————

    O governador Geraldo Alckmin anuncia nesta segunda-feira, 29, que enviará projeto de lei à Assembleia Legislativa com a proposta de tarifa zero no sistema de transporte metropolitano – trens do Metrô e da CPTM e ônibus da EMTU – para todos os estudantes de escolas públicas do Estado, incluindo das universidades públicas e das Etecs e Fatecs. Alunos de escolas e universidades privadas que comprovarem baixa renda (até R$ 1.550 per capita) também serão beneficiados com a tarifa zero

    A concessão do benefício vai aproveitar cadastros já existentes de alunos para concessão de meia tarifa, entre eles o da EMTU e o da SPTrans, no município de São Paulo.

    Também terão direito à tarifa zero alunos de baixa renda cadastrados em programas estaduais que dão bolsas a universitários, como o Escola da Família e o Ler e Escrever, e os federais Prouni e Fies.
    A Secretaria dos Transportes Metropolitanos estima que cerca de 65% dos estudantes que usam CPTM e Metrô terão direito ao benefício.

    Reajuste

    A Secretaria dos Transportes Metropolitanos informa que a tarifa cheia do Metrô e da CPTM passa de R$ 3 para R$ 3,50 a partir da próxima terça-feira, dia 6 de janeiro. A tarifa cheia terá reajuste de 16,67%, abaixo dos 17% de inflação acumulada desde o último reajuste, em fevereiro de 2012, ou seja, há quase três anos. Já nos ônibus da EMTU, a tarifa varia, mas nenhum valor subirá mais de 16,6%.Com o reajuste de R$ 3,00 para 3,50 das tarifas dos ônibus municipais da capital e do sistema metroferroviário, o valor da integração entre os dois sistemas passa de R$ 4,65 para R$ 5,45.O Metrô e a CPTM já oferecem tarifa zero para pessoas com deficiência e idosos. A gratuidade foi ampliada para pessoas com mais de 60 anos em julho deste ano (Lei15.187). Atualmente, qualquer estudante, da rede pública ou privada, já tem direito à meia tarifa e vai continuar com esse benefício.O reajuste não irá impactar o trabalhador que recebe Vale Transporte porque o aumento será custeado pelo empregador.
    Da Secretaria dos Transportes Metropolitanos

  2. Passe livre nos transportes já em todo estado do Rio de Janeiro, para estudantes pelo menos!
    Protestos nas ruas já!
    ——————————————————————————————–
    Reajuste das tarifas dos ônibus pegou cariocas de surpresa
    Ministério Público quer o preço em R$ 3,20

    O DIA
    Rio – O reajuste de 13,3% nos preços das tarifas dos ônibus municipais que entrou em vigor à meia-noite deste sábado, passando de R$ 3 para R$ 3,40, pegou muita gente desprevenida, apesar de ter sido anunciado durante a semana. No Terminal Rodoviário Coronel Américo Fontenelle, próximo à Central, vários passageiros estavam indignados.
    Pelas redes sociais, há rumores de que o Movimento Passe Livre (MPL) já esteja preparando protesto. O aumento das passagens, por sinal, foi o estopim para as manifestações de junho de 2013. A Prefeitura do Rio informou que o reajuste segue o contrato de concessão. Porém, o promotor do Ministério Público Rodrigo Terra afirmou que vai investigar os detalhes do reajuste na tentativa de fixar o valor da passagem em R$ 3,20.

    Passagem do ônibus municipal está R$ 0,40 mais cara
    Foto: Fabio Gonçalves / Agência O Dia
    Para chegar ao trabalho, no Leme, Zona Sul da cidade, Eric Vinícius de Sousa, de 20 anos, morador de Duque de Caxias, pega um trem e um ônibus. Desavisado, chegou ao terminal da Central sem saber da nova tarifas. “Recebo R$ 890 por mês e gasto R$ 14 por dia com passagem. Esse aumento foi muito alto”, disse.

    O morador de Jacarepaguá Luís Antônio Lopes precisou emprestar dinheiro para um amigo pagar a passagem. “Isso é abusivo. Os ônibus são precários e sem ar-condicionado mesmo com esse calor. Como pode?”, perguntava. Já um fiscal da Viação Redentor perguntou: “Cadê nosso aumento?”

  3. Pingback: Mais um aumento na tarifa, mais uma jornada que se inicia! | Movimento Passe Livre - Rio de Janeiro

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s