Sobre a entrevista do Sr Jacob Barata Filho concedida ao Jornal Folha de São Paulo

Lemos recentemente uma entrevista concedida pelo herdeiro de Jacob Barata*, que é um magnata mais conhecido pela sua exposição pública como um dos empresários do transporte público no Rio de Janeiro. Mas esse é somente um dos mercados em que atuam as empresas pertencentes à família Barata. Esta conta com mais de 96 sócios e lucra com diversos mercados. Só com transporte coletivo no Rio de Janeiro, eles têm mais de 430 milhões de reais em lucros. Fora essa explicação do que é e o que significa tal família, a entrevista comentou assuntos pertinentes à população do Rio de Janeiro, como os problemas em torno da mobilidade urbana, que foram tocados desde a CPI dos Ônibus, o aumento das tarifas, a gestão nos transportes e até a Tarifa Zero.

jacobBARATAfilho

No início da entrevista o Sr. Barata tenta dizer que não existe “máfia dos transportes” e que não são as empresas que decidem tudo. Ele diz que uma prova disso é o fato de eles perderem mercado para vans e que seu domínio político se dá pela influência junto a seus funcionários para votarem em seus candidatos. “Como há a bancada ruralista, há a bancada do transporte”, diz o empresário. Como já vínhamos denunciando, é exatamente essa uma das bases que mantém o sistema de transportes imerso na crise de mobilidade urbana em que vivemos atualmente. Assim como os ruralistas, que promovem políticas de ataques a indígenas, quilombolas e demais trabalhadores rurais em prol do agronegócio e do latifúndio, os empresários do transporte têm apoio institucional que não depende somente de alguns parlamentares, mas é baseado em leis e contratos que mantém a política de transportes. E o próprio Sr. Barata se dispõe a dizer que “É pessoal” quando indagado sobre as doações de campanha a candidatos. Há uma gama de burocratas, parlamentares e técnicos que agem a favor desses empresários dentro do Estado, agindo de acordo com a decisão política de que o transporte público deva ser pago pela tarifa e que deva funcionar em prol dos lucros.

Os empresários recebem constantemente apoio político para manter um sistema de transportes que beneficia os ricos e penaliza os trabalhadores e mais pobres. Faz parte disso a manutenção de ônibus escassos e corte de linhas, para ter mais usuários pagando tarifas por cada frota. Por isso até hoje o investimento em transporte individual é 12 vezes maior do que no transporte público, mantendo os engarrafamentos que tiram as mais de 2 horas de vidas diárias das pessoas. Nos últimos anos essa escassez levou ao crescimento do transporte público informal (vans, moto-táxis etc), que ainda é muito minoritário, mas hoje há uma perseguição a este transporte, como tem ocorrido com os “choques de ordem” levados a cabo no Rio. Junto a isso, há uma política de proteção aos lucros dos empresários regularizados, como o Sr. Barata, com mais benefícios, desonerações e subsídios. Tudo em benefício da “máfia dos transportes”, como a população, indignada com essa condição, batizou a esses empresários.

jacobBARATAfilho1

Barata Filho

O Sr. Barata diz que não vê problemas na CPI dos Transportes, dizendo que eles estavam “se preparando” para ela. A pergunta que fazemos é: preparar-se para que? Basta publicar as planilhas de custos e ser transparentes com as políticas e gestões. Assim, não seria preciso a CPI. E essa problemática não é colocada somente por nós, mas pelos técnicos do Tribunal de Contas do Município (TCM), que expuseram mais uma vez a falta de acesso aos dados que compõem os custos das tarifas. Mesmo assim, eles realizaram um cálculo que mostrou que o lucro das empresas apresentou um crescimento maior do que os 10% estipulados nos contratos de 2012, quando a passagem aumentou para R$2,75. Nisso, apontaram que a passagem de ônibus deveria ser reduzida para R$2,50. Logo, sem nenhum argumento técnico, o prefeito Paes, que “poderia ser um pouco mais carinhoso” segundo o Sr. Barata, promoveu um aumento na tarifa de ônibus para 3 reais. Cinquenta centavos a mais do que estipulam os contratos.

1794591_217502265120124_756441232_n

Ato contra o aumento da passagem no Rio de Janeiro.

Da mesma forma que o Sr. Barata, mas por motivos diferentes, vemos como insuficiente uma CPI do transporte público. Entendemos que muito além da falta de acesso às contas das empresas, há um problema de gestão desse serviço, que o coloca em prol do lucro e da tarifa. Isso inclui a decisão sobre as linhas, as frotas, os custos, a rodagem e tudo que for necessário para a sua realização. Por exemplo, é o governo do Estado e o Município que decidem o valor das passagens. Esses dizem se basear em contratos e argumentações técnicas, porém é exatamente de acordo com os interesses políticos que esses são feitos.

A lógica de que a tarifa é a principal fonte de custeio produz um ciclo de exclusão que penaliza cada vez mais o usuário. O sucateamento do serviço, que é fruto do corte de frotas e de falta de manutenção, geralmente é uma pressão pública defendida com argumentos técnicos para que se promovam aumentos na passagem. Com isso, menos usuários podem pagar o serviço. Provocando mais sucateamento, o que funcionam novamente como argumento de novos aumentos. Para manter o sistema intacto diante dessa crise os governos lançam cada vez mais subsídios para cobrir os lucros, resultando em 37 milhões de pessoas excluídas do transporte público no Brasil, que fazem seus trajetos a pé.

1662209_217506808453003_1576382190_n

Ato contra o aumento das passagens no Rio de Janeiro.

Finalizando a entrevista, o Sr. Jacob Barata Filho desqualifica as manifestações dizendo que se sentiu injustiçado e que há muita falta de informação sobre sua família. Como se isso fosse necessário e que a indignação sobre o transporte público já não fosse o suficiente para a população se revoltar! Mas o que mais chamou a nossa atenção foi a sua defesa da tarifa zero, dizendo que é o melhor para os empresários. Diante disso, fazemos a seguinte provocação: por que não agora? Nós sabemos a resposta, pois a manutenção do transporte público como está é uma decisão política e não técnica ou econômica. O custeio pela tarifa mantém o controle empresarial e burocrático sobre as linhas, as frotas e a qualidade do serviço, privando a população mais pobre do direito de ir e vir e favorecendo os setores mais ricos da sociedade.

1959925_224613427742341_1233395913_n

Revolta contra as condições do BRT, na estação Mato Alto, em Guaratiba.

Com a tarifa zero se abre uma inversão de prioridades, que passa a ser a dos trabalhadores e da necessidade de locomoção da população. Diante disso, o custeio não deve recair sobre o contribuinte, que é o usuário, mas sim sobre o beneficiado, que são os empresários. Nesse sentido, o Sr. Barata talvez tenha razão ao dizer que com a tarifa zero não haveria pressão sobre ele. O controle popular que decidiria o custeio, modais e linhas para realizar suas demandas. Não caberia a ele pensar em meios de cobrar mais tarifas, mas sim em como contribuir, com suas riquezas, para a execução e rodagem do serviço. O caminho para isso está se abrindo a cada revolta popular pelo transporte público. Esse sim é um “controle de qualidade” de fato. Não cabe ao Sr. Barata fazer isso dando uma volta em seus ônibus de vez em quando ou passeando numa manifestação para monitorar as pessoas. Que ele fique em seus escritórios. Se quiser fazer um diálogo de fato com a população que luta por transporte público, basta dar um primeiro passo: reduzir as tarifas a zero e participar de um diálogo público e aberto.

Por uma vida sem catracas!

Movimento Passe Livre – Rio

*http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/03/1422830-fui-as-manifestacoes-do-rio-e-me-senti-injusticado-diz-maior-empresario-de-onibus.shtml

Anúncios

3 Respostas para “Sobre a entrevista do Sr Jacob Barata Filho concedida ao Jornal Folha de São Paulo

  1. eu gostaria do link da entrevista de Jacob barata no Jo soares!

  2. Oi fui namorada do seu Irmao David no ano 1994 sempre saiamos para jantar no leblon ou na barra da tijuca ele sempre vinha me buscar com um automovel diferente por medo de sequestro,lembro os bons momentos que passei com ele eramos super felizes,ate que aconteceu a desgracia do sequestro de un de Seus irmaos,foi quando ele ficou completamente louco queria de qualquer Maneira encontrar os responsaveis,e me avisava que subiria no morro nas favelas atrasbde alguma pista eu emplorava para que nao fosse mas ele tinha sede de vinganca,assin quenpara nao me por em perigo desidiu se afastar de mim por um tempo,sei que nunca poderei esquecelo foi um Amor em minha vida, nunca esquecei os momentous que passamos juntos ele era muito divertido,sempre gostava do mesmo estilo de roupa calca jeans camisetas estilo marinheiro azul marinho e branca botas de couro lembro do seu closer na coberturabde ipanema todas suas roupas iguais,sempre dizia que eu era uma bruxinha que o tinha enfeiticado com meu amor,gostaria muito de saber como ele esta ja que nunca concegui esquece-lo

  3. para a cláudia:
    coitada de você. gostar de um débil mental viciado cracudo como esse davi barata. se é que vc ficou mesmo com ele, foi por interesse, pois o cara é feio pra danar e só fala merda. gosta mesmo é de cheirar muito pó. que peninha que tenho de seu relato sua tapada

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s