Sobre o ato do dia 6 de Fevereiro

O ato convocado por nós contra o aumento da passagem de ônibus para R$3,00, contou com a presença de ao menos cinco mil pessoas, construído por diversos coletivos, organizações e frentes de luta. As duas pistas sentido norte da Av. Presidente Vargas foram totalmente fechadas. A manifestação seguiu calmamente, até chegar na Estação Central do Brasil. Com isso, ela seguiu espontaneamente para ali e a população iria mais uma vez, viver uma experiência de Tarifa zero com o catracaço. Mas a PM (polícia militar) estava com um forte contingente dentro dali, esperando o protesto chegar para atacar, agindo com extrema violência, levando pânico e ferindo gravemente as pessoas. Isso só demonstra o quanto o lucro dos empresários é mais importante do que vidas para o governo e para essa corporação policial. Tal ação desastrosa transformou a manifestação numa revolta popular, que, além de se defender dos ataques da polícia, as catracas, instrumento de violência que impede o direito de ir e vir, foram quebradas e arrancadas do chão. Os PMs jogaram bombas na Central, um espaço fechado, causando convulsão em uma senhora, desmaio e sufocamento em muitas pessoas. Continuaram perseguindo a população pelas ruas atirando e jogando bombas. Durante o confronto, o jornalista Santiago Andrade foi ferido gravemente na cabeça por uma bomba, que está hospitalizado em coma. Um ônibus, que corria pelo motorista estar sufocando com as bombas de gás atiradas pela PM e não conseguindo ver direito o que havia em sua frente, acidentalmente atropelou o senhor Tasnan Accioly,  65 anos, que atravessava a rua fugindo dos conflitos. Segundo notícias, ele faleceu a caminho do hospital.

A Polícia Militar foi criada num estado de exceção e deveria ter sido extinta na volta do Estado democrático de direito. Esta, além da Tarifa Zero, deve ser uma das conquistas de 2014. Por isso, a luta deve prosseguir, pois um cenário em que manifestantes, passageiros, trabalhadores e jornalistas são agredidos é parte de uma sociedade que vive sob domínio de empresários e das catracas que impedem a livre-circulação de pessoas.

Temos o direito de manifestação, mas a polícia nos perseguiu e agrediu até conseguir acabar com o ato contra o aumento das passagens. Um protesto legítimo, uma vez que técnicos do TCM afirmaram que a passagem deve custar R$2,50, por conta do lucro empresarial além do previsto nos contratos, mas o prefeito quer aumentá-la para R$3,00 neste sábado (dia 8).

Gostaríamos de agradecer publicamente o apoio dos advogados que auxiliam voluntariamente as manifestações e reivindicar a soltura imediata dos, ao menos, 28 presos de ontem. Protestar não crime.
Prestamos solidariedade ao senhor que foi atropelado, ao jornalista e demais feridos. Sofremos juntos uma repressão e queremos dizer que o MPL repudia tentativas de cercear a liberdade de expressão e imprensa, assim como lamentamos os prejuízos humanos ocorridos durante os conflitos.

E como nem tudo é tristeza, mesmo com a repressão policial o catracaço não foi impedido. A entrada gratuita foi liberada para todos durante o resto da noite a partir das catracas danificadas. O direito de ir e vir e o passe livre universal (Tarifa Zero) foram garantidos através da revolta popular contra a violência da polícia e contra o sistema de transportes.

Esperamos de coração que estejam todos e todas bem, na medida do possível. Agradecemos a todos os movimentos sociais e pessoas que aderiram à luta.
Não vamos deixar que a repressão e a brutalidade policial vençam a razão. Dia 10 de fevereiro teremos nosso novo ato, 18hs na Praça do Panteão de Caxias, Central. Contra o aumento da passagem e pela redução para R$2, 50!!

Amanhã vai ser maior.
Por uma vida sem grades, sem repressão e sem catracas!

Movimento Passe Livre – Rio de Janeiro

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