Sobre o ato do dia 28 e a jornada de lutas que se inicia

O ano se iniciou após o MPL-Rio e o MPL-Niterói terem organizado seu primeiro ato, em 20 de Dezembro, construído com outras organizações, indivíduos e movimentos. A luta contra o aumento das passagens municipais foi retomada após o Prefeito Eduardo Paes declarar que ele ocorreria em Janeiro de 2014. Porém no dia do ato o Tribunal de Contas do Município aconselhou que o prefeito não aumentasse as passagens, devido às irregularidades na analise das contas que envolvem a FETRANSPOR. Seguida da posição do prefeito de esperar até Fevereiro para ter a resposta do órgão, no mês Janeiro ficou suspenso de aumento na tarifa municipal no Rio.

Preparamo-nos para o final de Janeiro retomar a luta contra a tarifa e contra o anunciado aumento. Mas, na segunda quinzena desse mês, junto com todos os usuários do transporte público, fomos surpreendidos com o aumento dos ônibus intermunicipais pelas empresas, advertidas pelo Ministério Público por violarem os dez dias prévios de aviso. E descobrimos que a partir do dia 2 de Fevereiro, a Supervia estaria autorizada a aumentar sua passagem para 3,20 reais. Logo depois veio o anúncio do Governador Sérgio Cabral com um decreto para descontar 50% do IPVA para os ônibus, reproduzindo a política nacional de desoneração das empresas de transporte.

Diante disto, o MPL construiu o ato do dia 28 de Janeiro com outros coletivos e organizações. A luta deveria ser contra o aumento dos ônibus (municipais e intermunicipais) e do trem. A proposta seria levar à população a idéia da TARIFA ZERO na prática e mostrar que a ação direta é um meio a ser apropriado pelo povo, sem precisar de líderes, partidos ou instituições para garantir que suas demandas fossem atendidas. Sucesso! Mesmo com a repressão policial, sob a alegação absurda contra o uso de máscaras pelos manifestantes, o ato foi massivo e a população não somente aderiu, mas foi sujeita da luta. Milhares voltaram de graça para suas casas ao realizarem um catracaço na estação Central do Brasil. A ação direta puxada pelo MPL, teve adesão da população que tomou em suas mãos o destino de suas vidas e decidiram fazer no cotidiano o que lhe é necessário. A TARIFA ZERO será feita assim: nas ruas e na pressão popular. Só o povo indignado, organizado e consciente de suas necessidades pode torná-la real.

Conforme sabíamos, o TCM mostrou de que lado está: dos empresários. No dia do ato do dia 28, seu relator, Ivan Moreira, declarou que o aumento nas passagens municipais deve ocorrer, mesmo reconhecendo as irregularidades na analise dos custos da FETRANSPOR. E o prefeito, de imediato, anunciou o aumento das passagens municipais para 3,00 reais para o dia 8 de Fevereiro. No momento o Rio é ponta-de-lança das empresas, pois se o aumento se firmar aqui, vai legitimar que o mesmo ocorra em outras cidades do país. O município continua alegando não ter subsídio para cobrir a tarifa, mesmo com o desconto no IPVA pela metade. Isso só mostra o desafio que temos pela frente. A jornada de lutas de 2014 está só começando.

Além de agradecer a todos e todas que construíram o ato conosco, queremos fazer um chamado de luta. Temos um ato convocado para o dia 6 de Fevereiro, com concentração na Candelária, às 17h. Outros ocorrerão nessa nova jornada, para dobrar os empresários e impor a eles o recado de que não tenha aumento de tarifa nunca mais. Temos feito trabalho de base em favelas, bairros e escolas, assim como articulações com outros movimentos e coletivos. Além da formulação de idéias e teorias sobre transporte público. Diante disso, temos certeza de que o ano de 2014 será rico tanto em desafios quanto em avanços das lutas. Entendemos que isso vem para todos e todas que querem uma sociedade justa e livre de todas as catracas. Portanto, convocamos a unidade na ação para mais uma vez derrubarmos o aumento nas passagens!

Contra todos os aumentos, até que a tarifa baixe a zero! Por uma vida sem grades e sem catracas!

Movimento Passe Livre – Rio de Janeiro
Movimento Passe Livre – Niterói
RJ, 30/01/2014


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Uma resposta para “Sobre o ato do dia 28 e a jornada de lutas que se inicia

  1. Passe livre tô nessa luta.

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