DIÁLOGO SOBRE SAMBA: O TREM DAS ONZE JÁ NÃO SAI MAIS, NA CENTRAL E NA LUZ

>>Samba contra o corte de ônibus e a tarifa R$3,80, em Olaria
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Boa análise no texto do companheiro da luta pelo transporte em São Paulo, Legume Lucas. Diante do samba de Adoniran Barbosa, revelam denuncias sobre o veto do direito ao transporte e segregação da população de baixa renda, além da dificuldade de acesso de trabalhadores ao transporte noturno. A Estação da Luz, lotada durante o dia e tarde por receber a circulação de muitos trabalhadores, à noite se hospedam ali nos arredores por perder o retorno para suas casas.
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Assim como a estação da Luz, a Central do Brasil no Rio de Janeiro, o coração que pulsa a classe trabalhadora pela cidade, também passou (ainda passa) por um processo de elitização e perseguição policial dos mesmos setores no trecho da cronica de Lurdez da Luz: “Fizeram uma política para poder expulsar traficantes, trombadinhas [grupos de crianças que praticam assaltos], travestis da área / pra qualquer outro pico de São Paulo vão migrar”. O filme “Central do Brasil”, de Walter Salles, já mostra essa “outra” Central que existia há pouco mais de 20 anos: ambulantes, camelôs, crianças, se estabelecendo ali.
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A condenação moral do tráfico de drogas, enquanto a repressão policial cai somente sobre os mais pobres e negros, caminha junto com o mercado imobiliário e empreiteiras na região. Vizinho da Central, o Morro da Providência já foi vítima de outras ocupações militares antes da UPP(unidade policial pacificadora), em 2008, quando membros do exército torturaram, sequestraram e venderam para uma facção criminosa 3 jovens trabalhadores, que voltavam de seu lazer. Hoje inúmeras remoções ocorreram no morro, muitas alegando a instalação do Teleférico, instalado sem nenhum diálogo com os moradores. Outras remoções foram impedidas pela resistência popular local.
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Apesar da Central ser um coração que pulsa trabalhadores com transporte para outras regiões, não longe dali, na Zona Portuária, está acontecendo um processo de elitização e especulação. Já denunciado e alvo de protestos de moradores, bairros do Santo Cristo, Saúde e Gamboa estão sofrendo com o CORTE DE LINHAS DE ÔNIBUS, parte do projeto de corte de 111 linhas pela prefeitura Eduardo Paes. Moradores locais estão passando mais de 1 hora nos pontos, esperando a única linha que passa nas suas ruas.
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Como parte disso, a Zona Portuária passa pela implementação do Porto Maravilha, que vem com o Museu do Amanhã e a “nova” Praça Mauá. Com expulsão de camelôs e perseguição de moradores de rua, tentam fazer dali um cartão postal da cidade. Ali tem a região conhecida como “Pequena África”, pela maioria de seus moradores serem negros, muitos descendentes da formação de habitações de ex-escravos, com suas produções culturais preservadas, desde terreiros de candomblé, rodas de samba, capoeira, até a luta pelo reconhecimento do Morro da Conceição como remanescente de quilombo.
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Apesar da persistência do Samba da Pedra do Sal, no pé do Morro da Conceição, ao lado da Praça Mauá, a “Pequena África” ainda vive as cicatrizes da segregação e elitismo, que nos lembra a perseguição à organização e autonomia dos trabalhadores negros nos tempos pós-abolição. Perto dali, a prefeitura Eduardo Paes despejou a Ocupação Zumbi dos Palmares e de outras ao redor, que continuam fora de uso. No primeiro semestre de 2009, 50 sobrados, depósitos de camelôs, ocupações e imóveis antigos sofreram incêndios criminosos. Hoje a “Pequena África” é apresentada como um produto de mercado no turismo, enquanto essas violações aos seus moradores são silenciadas.
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O camelódromo da Central também sofreu incêndio, em 2010. Exatamente quando o prefeito propagava o Porto Maravilha na grande mídia. Hoje, não existem mais a maioria das moradias populares no local e tal região está sendo tomada por altos prédios e novas construções. A população de trabalhadores com maioria negra, que dava vida ao local, está sendo expulsa por diversas táticas do poder público e privado. Para onde ela vai e o que fará? Vai continuar dando vida para os projetos imobiliários e financeiros que estão se instalando ali, só que pela exploração seu trabalho, cujo valor gerado financia os grandes empreendimentos. O problema é se essas pessoas vão usufruir desse ganho para os empresários, que já dão a resposta negativa com o veto do seu direito à habitação e transporte. Somente a luta e resistência popular vai poder dizer, que também usa sambas, performances e outros meios de criação como instrumentos de mobilização e crítica.
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Camelódromo da Central do Brasil incendiado, em 2010.

LUTA CONTRA A TARIFA 2016! CALENDÁRIO DE LUTAS!

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O Movimento Passe Livre Rio de Janeiro está fazendo uma série de atividade nos subúrbios e no centro da cidade contra o aumento da tarifa. O ônibus subiu para R$3,80, o trem vai para R$3,70,  barcas para R$5,60. Ainda irão definir o valo do aumento para o metrô.

Nesse momento é muito importante promover uma mobilização que abra espaço para a auto-organização da classe trabalhadora em seus bairros e seus locais de trabalho.

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O aumento na tarifa faz parte do reajuste diante da crise econômica, cuja solução já é ensaiada preventivamente desde 2010 na última licitação, que deu controle do serviço de ônibus aos consórcios até 2030. Assim como seus aumentos anuais de tarifa. Também o controle do trem foi prolongado até 2048 para a SUPERVIA.

A importância é mobilizar os setores que mais produzem e mais são atacados pela política de transporte público: a classe trabalhadora. Moradores da Baixada Fluminense e da Zona Oeste são responsável pelo pagamento de 70% do lucro dos empresários de ônibus. Além de sermos explorados em nossos trabalho, pagamos pelo nosso direito ao transporte, garantido pela Constituição no artigo 6º!

A luta já começou! Mobilize sua escola, sua favela, seu bairro, seu local de trabalho!

Ações estão ocorrendo pela cidade contra o aumento da tarifa:

18h ATO CONTRA A TARIFA R$3,80 E PELOS DIREITOS! CANDELÁRIA

06/02 | Sábado |14h na Quadra Gêmeas, ao aldo do BRT Cacique de Ramos, Olaria | Reunião pelo Transporte em Olaria

09/01 | Terça | 18h na Praça da Cruz Vermelha, Centro | Bloco Pula Roleta

https://www.facebook.com/events/895607010555181/

16/02 | Terça | 18h na CANDELÁRIA, Centro | ATO CONTRA A TARIFA: POR UMA VIDA SEM CATRACAS!

17/02 Flash MOB contra a tarifa, R$3,80 não! 18h Rua Dias Da Cruz, Méier

https://www.facebook.com/events/979907178747217/

20/02 | SÁBADO | 15h BRT Praça Seca, CORETO | REUNIÃO DA LUTA PELO TRANSPORTE EM PRAÇA SECA

https://www.facebook.com/events/1168961246478575/

24/02 | Terça | 18h na Praça Agripino Grieco, Méier | AULA PÚBLICA CONTRA A TARIFA R$3,80 E PELA TARIFA ZERO

27/02 | Sábado | 18h BRT Ilha de Guaratiba | Reunião da Luta pelo transporte em Guaratiba

https://www.facebook.com/events/518958698276372/

NACIONAL

~~ Niterói (RJ) ~~28/01 | Sexta | 17h | Estação das Barcas | 2º ATO | Contra o aumento das passagens em Niterói!

https://www.facebook.com/events/181154782246409/

~~ Nova Iguaçu (RJ) ~~21/01 | Sexta | 17h | Praça da Liberdade | NOVA IGUAÇU CONTRA OS AUMENTOS E DESCASOS NO “PAÍS DAS OLIMPÍADAS”

https://www.facebook.com/events/1663384797237829/

~~São Paulo (SP)~~

TERÇA | 26/01 | 17H | ESTAÇÃO DA LUZ | 6º GRANDE ATO CONTRA O AUMENTO

https://www.facebook.com/events/800394596749734/

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~~ Contagem (MG) ~~

13/01 | Quarta | 7h | 2º REUNIÃO CONTRA O AUMENTO DA TARIFA

https://www.facebook.com/events/170122123350990/

~~ Joinville (SC)~~

26/01 |Terça | 18h | Ato Contra a Tarifa | Protesto Não É Crime
https://www.facebook.com/events/1700772813479077/

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~~ Florianópolis(SC) ~~

22/01 | sexta | 18h | Largo da Alfândega | E aí, prefeito? {I}Mobilidade e transporte coletivo de Florianópolis
https://www.facebook.com/events/161584654206682/

~~Salvador (BA)~~

29/01 | sexta | 14h | Largo de Campo Grande |III ATO PELA REVOGAÇÃO DO AUMENTO BUZU & RETORNO DA TARIFA ZERO NO METRÔ
https://www.facebook.com/events/1675309949418895/

Nota de Repúdio ao Aumento das Tarifas em Belo Horizonte e à Repressão

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No dia 08 de agosto, após a Justiça de Minas Gerais cassar a liminar que suspendia o aumento das tarifas, devido as alegações da classe empresarial de que estariam sofrendo prejuízos, as tarifas dos transportes públicos em Belo Horizonte aumentaram, atingindo o valor de 9,7% e passando de R$ 3,10 para 3,40 na passagem predominante paga em 80% das linhas. A resposta do Estado à população indignada com mais um roubo foi, como de costume, a repressão policial.

Sem passar pelo Conselho Municipal de Mobilidade Urbana (COMURB), como exige a legislação municipal, a tarifa dos transportes coletivos de Belo Horizonte subiu pela segunda vez em sete meses e, somado ao aumento que ocorreu no dia 29 de Dezembro do ano passado, cuja percentagem média chegou a 8,49%, os reajustes se aproximam a um absurdo total de 19% de aumento!

Imagem do Tarifa Zero BH

Imagem do Tarifa Zero BH

Dentre as diversas “motivos” apresentados para justificar tal injustiça está o aumento da inflação e, segundo Ramon Victor César, presidente da BHTrans, a redução do número de pagantes no transporte público. Porém, sabemos que o buraco é muito mais embaixo.

A inflação medida pelo IBGE em Belo Horizonte foi de 6,4%, valor menor do que a metade do percentual reajuste e, além disso, com o aumento do preço da tarifa, parte das/os usuárias/os precisam optar entre reduzir os gastos com alimentação, higiene básica, etc, ou pagar o novo valor tarifário. Assim, mais pessoas perdem o acesso ao transporte público. Com menos pagantes, os empresários recorrem novamente a um novo aumento e assim por diante. O ciclo continua assim: enchendo o bolso dos empresários, e excluindo cada vez mais usuárias/os.

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Resposta diante da catraca do MPL BH apreendida pela Polícia Militar

No dia 12, deste mês, mais de mil manifestantes que marchavam pacificamente no 1º Ato Contra o Aumento da Tarifa foram atacadas/os pela PM com bombas de gás e balas de borracha e foram perseguidas/os mesmo após o ato ter sido disperso. Dezenas ficaram feridas/os. Tudo isso foi uma tentativa de silenciar o grito de indignação de pessoas que decidiram não aceitar caladas mais um ataque dessa corja de parasitas formada pela Prefeitura e os donos de empresas de transporte.

BH

O uso do aparato militar para reprimir aquelas/es que ousam se rebelar contra opressão é algo recorrente, seja em estados governados pelo PT, como Minas Gerais e Bahia, seja em estados governados pelo PSDB, como São Paulo e Paraná; seja nos E.U.A, seja onde for. E, não obstante a repressão às/aos manifestantes, jornalistas foram impedidas/os pelos cães do Estado de fazerem a cobertura do local. O que constitui uma clara violação à liberdade de imprensa.

Deixamos aqui nosso repúdio ao aumento da tarifa e a essa instituição repressora e assassina que é policia militar.

3,40 É UM ROUBO!
A PASSAGEM SUBIU, MAS TEM QUE CAIR!

MOVIMENTO PASSE LIVRE (MPL)

A DUPLA FUNÇÃO E A TARIFA ZERO

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O debate em torno da imposição da dupla-função aos motoristas, que estão assumindo também o papel de cobradores na cidade do Rio de Janeiro, tem se mostrado superficial e convenientemente cacofônico. Enquanto setores burocráticos se debruçam sobre os meios institucionais e a representação sindical da categoria se encontra em crise, e cada vez mais atada aos patrões, por isso rejeitada entre rodoviários que se negam a qualquer assunto “político”, é necessário que façamos uma análise sobre as reais intenções dos empresários, amparados por seu grupo de burocratas e políticos, neste plano que está em andamento. No mínimo, desde o edital de licitações para concessões do serviço de transporte de passageiros, de 2010.

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Podemos repetir aqui os argumentos, irrefutáveis, contra a dupla-função, a começar talvez pelo mais óbvio: o motorista que já tem um altíssimo nível de estresse e sofre pressões tanto de passageiros quanto dos patrões, fica sobrecarregado tendo que receber a tarifa e dar o troco, colocando sua vida e as vidas dos passageiros em risco. Daí vamos aos cobradores, que perderão seus empregos, o que já vem acontecendo na cidade do Rio Janeiro. Estes fatos já deixam clara a postura dos patrões frente aos trabalhadores: eliminam um posto de trabalho e precarizam o outro, arbitrariamente, dentro de um sistema de transporte coletivo que se encontra caótico, com o único objetivo de aumentar ainda mais seus lucros.

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Uma das causas das demissões, ignorando as ilegais durante a última greve, tem sido a introdução dos ônibus com duas roletas. E a experiência já mostrou que elas mais atrapalham do que ajudam. Passageiros não sabem o que fazer ou por onde passar (o que acarreta em mais uma função ao motorista, que tem que auxiliar a entrada das pessoas); o espaço entre a porta e as roletas continua pequeno, mantendo a existência das filas que se tornam maiores pela confusão; muitas vezes um dos aparelhos de cobrança eletrônica tem problemas em seu funcionamento; e, uma questão muito importante, as duas roletas tomam um enorme espaço ao seu redor que poderia ser ocupado por no mínimo 8 passageiros sentados e tantos mais em pé, diminuindo as lotações

Outra causa é o corte de linhas, que está acontecendo para privilegiar as operações dos BRTs. Muitas das linhas diretas bairro-centro e bairro/bairro estão sendo transformadas em alimentadores do sistema BRT e as mudanças são feitas sem diálogo algum com a população Já foi anunciado pela prefeitura que 78 linhas zona norte/zona sul serão cortadas, no intuito de “racionalizar” o sistema. Devemos lembrar que a superposição de linhas acontece graças à manutenção do modelo de transporte como mercado, e não como direito. Assim, na prática cada empresa continua fazendo os trajetos que mais lhes forem favoráveis, predatoriamente. – como se estivessem ainda sob modelo permissionário.

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Mas o que as roletas duplas e os BRTs tem a ver com o enriquecimento dos empresários? Há ainda um terceiro elemento: a bilhetagem eletrônica. A RioCard é uma empresa criada pela Fetranspor (Federação das empresas de Transporte do Rio de Janeiro), e é ela que administra o Bilhete Único. Investindo nesta maneira de pagamento, obrigando que usuários façam 1 ou mais baldeações, a Fetranspor garante que as tarifas sejam pagas antecipadamente, centralizando os recursos – inclusive os subsídios estatais referentes às gratuidades. A planilha destes valores não está disponível à sociedade, nem mesmo ao TCM (Tribunal de Contas do Município).

O edital de licitação de 2010 teve como objetivo a organização e garantia dos monopólios das empresas que já controlavam o mercado, passando do modelo de permissões para o de concessões, que duram 20 anos. O parágrafo 6 do edital prevê como meta “possibilitar a implantação do Bilhete Único Municipal nos moldes do Projeto de Lei ” (11/06/2010). Ironicamente, um dos princípios do projeto de Lei que institui o BU é o controle público. Ainda nos contratos do mesmo edital, o BRT é citado no que se refere ao equilíbrio econômico-financeiro e está listado como um dos riscos que devem ser assumidos pela concessionária. Ou seja, as operações de algumas linhas estão submetidas ao monopólio daquelas empresas que dominam as operações dos BRTs.

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A dupla-função entra neste contexto como maneira de garantir a bilhetagem eletrônica e explorar mais os trabalhadores dos transportes, somando assim um lucro imenso aos empresários do setor (sem falar nas tarifas já absurdas, ganhos com publicidades etc). É mais do que obvio o quanto a presença de uma pessoa a mais trabalhando no ônibus garante melhor eficiência e segurança do serviço, porém, ainda escudado pela lógica do lucro fácil, a tendência é que o modelo dos transportes continue o mesmo.

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Defendemos a Tarifa Zero como solução para todos estes problemas, realocando estes trabalhadoresque eram cobradores. Com o transporte funcionando sem a cobrança de tarifa, a frota terá que aumentar substancialmente e será necessário maior número de motoristas. Para isso o investimento público no transporte coletivo deve ser invertido (para cada um 1 real investido no transporte público, 12 são investidos no transporte particular). Existe a proposta de que os cobradores sejam mantidos no ônibus como assessores: para dar informações sobre trajetos, auxiliar idosos, crianças, gestantes e deficientes, abrir e fechar portas, ajudar o motorista em casos de falhas no veículo ou emergências, enfim, são muitas as funções de uma segunda pessoa dentro dos ônibus que atualmente são desempenhadas pela motorista. Obviamente, o debate e as decisões sobre a organização e as funções devem acontecer entre trabalhadores e ser expandido para os usuários, pois é este o conjunto de pessoas que sabe como deve funcionar o transporte coletivo.

Se não começarmos a pensar nas mudanças mais profundas dentro do sistema de transportes, para que ele seja um direito real (e não um privilégio), a exploração dos trabalhadores, a falta de segurança e o descaso com os usuários irão sempre existir, de uma forma ou de outra, garantindo o enriquecimento dos patrões. O debate sobre a dupla-função não pode ser isolado e burocratizado e nossa luta deve se dar na direção de um entendimento mais amplo e crítico sobre como atuam estes empresários para começarmos a definir nossos próximos passos.

Pelo direito à cidade!
Tarifa Zero, já! Paga pelos ricos!
Todo apoio à luta dos(as) trabalhadores(as)!
MPL-Rio

Moradia e transporte público

Texto originalmente publicado no blog da FIST (Frente Internacionalista dos Sem Teto)

Não é de hoje que o problema de transporte e moradia se acompanham. Isso acontece desde a Revolta do Vintém, em 1880, quando o Império aumentou a taxa sobre a passagem dos bondes em vinte Réis, o povo fez uma revolta popular e conquistou a redução. E no início do século XX, quando o prefeito Pereira Passos fez uma reforma urbana, que passou a expulsar a população mais pobre e trabalhadora do Centro, através do despejo de cortiços. cortiços, a população mais pobre, trabalhadora, em sua maioria negra. O governo reprimiu o levante que o povo fez contra isso, conhecido como a Revolta da Vacina, por ser contra a imposição normas autoritárias, como a vacina obrigatória. Isso é um momento muito importante para a nossa cidade, foi quando lutamos para viver no Centro da cidade. Ali há mais serviços, mais empregos e condições de vida. As pessoas tiveram de ir morar na periferia da cidade, distantes do centro, alugando imóveis dos ricos e proprietários.

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Favela da Providência, formada ao lado do Ministério do Exército, no início do século XX

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Até hoje, é uma jogada dos empresários transportar a multidão de trabalhadores que se deslocam da periferia ao centro todos os dias e ainda cobrar tarifas. Desde os bondes, as cooperativas de lotações, passando pelas permissionárias até as concessionárias de hoje, os empresários lucram explorando a mobilidade pela cidade. E por conta disso, muitos lutam pelo direito à cidade. As favelas, que são as ocupações de morros, são um exemplo dessa luta e há anos se estabelecem como uma alternativa contra a desigualdade, para viver perto das zonas centrais, onde há mais emprego e acesso a direitos. A mesma população negra e trabalhadora, que lutou contra a escravidão, pelo transporte e contra a expulsão do centro, hoje luta para usufruir e se locomover pela cidade.

Favela de Manguinhos, na Zona Norte, luta contra a violência policial e contra a remoção de casas pela instalação da estação de trem.

Favela de Manguinhos, na Zona Norte, luta contra a violência policial e contra a remoção de casas pela instalação da estação de trem.

O lobby do transporte público está junto com o mercado imobiliário, pois enquanto controlam a circulação de pessoas e encarecem o acesso à cidade cobrando tarifas, os imóveis se valorizam comercialmente. Assim, a prefeitura de Eduardo Paes tem promovido políticas de transporte, que promovem remoções. Já removeram a Vila Recreio II, pretendem remover a Vila Autódromo e a Vila União de Curicica, para a expansão do BRT Transolímpica. Ao mesmo tempo, promovem a remoção de diversas favelas. Isso ocorre também no aumento do custo de vida, pela regularização autoritária nesses locais via UPP (Unidades Policiais Pacificadoras), que encarecem as contas de luz, água, aluguéis e outros serviços. Assim, muitas famílias são removidas e obrigadas a morar em locais distantes do Centro. E promovem cortes de linhas de ônibus, tidas como não lucrativas, provocando a lotação, que trazem mais lucros aos empresários, com mais pessoas dentro de cada ônibus, pagando mais tarifas e girando a catraca. O BRT Transoeste já apresentou saturação, levando 17 mil passageiros por hora, mas a capacidade é de 15 mil.

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A instalação dos BRTs Transcarioca e Transolímpico, tem promovido a remoção de casas e a revolta e organização popular dos moradores.

São os trabalhadores que constroem a cidade, tudo aqui é fruto do nosso trabalho e deslocamento. No caso do transporte público, o absurdo dos empresários cobrarem tarifas é que não são os usuários os únicos beneficiados. Patrões também se beneficiam com milhões de pessoas se movendo pela cidade indo trabalhar ou comprar mercadorias. No entanto, os empresários não pagam nada por isso e ainda lucram cada vez mais. Quem se beneficia disso é o lobby do transporte público, que especulam em cima dele, como os 31 empresários desviando R$200 milhões para o HSBC da Suíça, incluindo a família Barata, que é dona do Rio Card e lucra com as “baldeações” dos usuários, pago pelo governo. E também o mercado imobiliário, que tem seus terrenos valorizados com o acesso dificultado para moradores de periferia, como ocorre na Zona Sul da cidade. Tal dificuldade é promovida pela violência policial também, como ocorreu no despejo do imóvel abandonado de Eike Batista: a PM agrediu as famílias sem-teto ocupantes, incluindo uma mãe que pariu seu filho durante o ataque.

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Ocupantes de prédio abandonado da falida EBX são reprimidos brutalmente.

Resistência contra o despejo da Favela do Metrô, perto da favela da Mangueira. Na zona norte.

Resistência contra o despejo da Favela do Metrô, perto da favela da Mangueira. Na zona norte.

As lutas por transporte e pela moradia devem caminhar juntas. Em Junho de 2013, a maior revolta popular dos últimos 20 anos, conquistou a redução das tarifas do transporte público em mais de 100 cidades no Brasil. Isso só ocorreu porque a mobilidade urbana é fundamental para a vida nas cidades. Principalmente para a população mais pobre e moradora das periferias, que tem a locomoção como o terceiro maior gasto e é pagante de mais da metade do valor arrecadado pelos empresários com as tarifas. É preciso que o povo lute pelo direito à cidade, desde ocupando e reivindicando moradia, como pelo controle no transporte público, por mais linhas nos bairros e pela TARIFA ZERO. Ela é possível e combate a especulação imobiliária, basta financiar o transporte gratuito do povo com mais impostos sobre as maiores fortunas, como imóveis abandonados de empresas públicas ou privadas.

Por uma vida sem catracas!
Pelo direito à cidade!

MOVIMENTO PASSE LIVRE – RIO DE JANEIRO

Do lado de cá: da Zona Oeste à Zona Norte, o transporte dos consórcios vai piorar.

“surfista zona sul
vai da Barra pro Havaí
surfista zona norte
da Central à Japeri”
Rap do Surfista

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A lotação nos BRTs da Zona Oeste tem causado notícia. Usuários e usuárias do transporte tem divulgado diversos problemas, desde a extrema lotação dos veículos até problemas com a cobrança via Bilhete Único. Nisso, alguns passageiros não se intimidam e resolvem pular a catraca, mas são reprimidos e intimidados. Os modais são um projeto do atual modelo de transporte consorciado, onde desde as últimas licitações de 2010, que violou contratos e foi alvo de investigação por ter 12 empresários com ações em mais de uma empresa, garantiu usufruto desse mercado por 20 anos. Isso quer dizer que até 2030, os BRTs vão ser instalados como um benefício do poder público para a população, mas seguem superlotados e com diversos problemas de manutenção, que podem provocar acidentes. E o BRT já cumpre recordes, com mais de 20 acidentes nos últimos 5 anos, sendo 7 deles fatais.

BRTlotado7Cinicamente, a secretaria municipal de transporte, de Rafael Picciani, declarou que há um aumento do número de usuários e que determinou a instalação de mais veículos articulados. No entanto, ignoram os cortes de linhas de mais de 3 mil ônibus que foram tirados, declarados nos últimos anos pela prefeitura de Eduardo Paes. São esses cortes que promovem a lotação, onde privilegiam os consórcios, com suas linhas alimentadoras e as linhas troncais dos BRTs. Assim, usuários e usuárias precisam fazer mais viagens e “baldeações” para o mesmo trajeto, que faziam antes dos cortes de linhas que não correspondiam ao monopólio dos atuais consórcios. Já era mais do que previsto essas lotações e a piora do serviço. O investimento nos transporte não é cobrado pelas empresas, tanto que 31 empresários de ônibus do Rio de Janeiro estão envolvidos em corrupção de desvio de mais de R$200 milhões, para contas do HSBC na Suíça. E o transporte segue piorando, como os 160 ônibus que a Viação Andorinha, do Consórcio Santa Cruz (Zona Oeste), tirou de circulação, além de reaproveitar peças velhas e deixar mais de 2 meses seus funcionários sem receber salário e cesta básica.

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 As lotações são causadas pelos cortes de linhas e frotas, fruto da suposta “regularização” do transporte na cidade. Não adianta somente instalar veículos novos, é preciso devolver as linhas. Já é histórico que por onde o BRT passa, ocorre cortes de linhas e terminais. Como já tem ocorrido na Zona Norte, em Cascadura, Madureira e Bonsucesso. Isso afeta a população local, que vai ter que andar a pé até os pontos principais, com mais lotação, como afeta o comércio local, que se beneficiava da circulação de pessoas. E muitos cortes foram feitos sem aviso prévio, quando trabalhadores ficam plantados nos pontos e há redução dos ônibus. Em alguns momentos isso gerou revoltas, pois as pessoas iriam perder seus empregos com os atrasos e mais horas de suas vidas, já perdidas nas horas de trânsito.

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Protestos de passageiros contra atrasos e cortes nas linhas, envolvendo o BRT.

O BRT não é um projeto ruim. Ruim para a população é o transporte como mercadoria que trata o direito de ir e vir como algo secundário diante das medidas burocráticas e empresariais. Longe de ser um problema técnico, é um problema político. As lotações são fruto das linhas cortadas e não do próprio usuário, conforme declarou a secretaria de Picciani, que pegaria as viagens contrárias para fugir das mesmas lotações, causadas pelos mesmos cortes de ônibus e linhas. Isso é política da remuneração por passageiro, que onera aos mais pobres ao obrigar o pagamento de tarifas. Promove o ciclo dos aumentos nas tarifas, onde os reajustes são garantidos pelo município, feitos sob o argumento de melhora do serviço. No entanto, com o aumento há menos passageiros pagantes, onde cortam parte do serviço para dar conta dos gastos. Esses mesmos cortes viram argumento para novos aumentos, como suposta solução para melhorias.

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A cada crescimento da tarifa, o prefeito Paes alegou que era pela melhora do serviço e instalação de ar-condicionados. Ele já declarou cortar 2 mil ônibus para cumprir a meta de metade das instalações, além de outras 500 cortados pelo BRT Transcarioca e redução das 123 para 45 linhas da Zona Sul. A maioria delas ligava à Zona Norte da cidade, onde muitos terão que fazer baldeação e mais viagens, pagando mais tarifas. Isso foi defendido pela prefeitura e pela secretaria de transportes como “redução das linhas para ter viagens mais rápidas e menos ônibus, que engarrafavam o trânsito”. Ignoraram que a cada 12 reais que o governo federal dá para a indústria de automóveis particulares, 1 real é investido no transporte público. Tal política gera o caótico trânsito carioca, lotado de carros e motos, que tira em média 2 horas de vida das pessoas por cada trajeto. Assim 31 empresários do ônibus no Rio de Janeiro, incluindo a família Barata, desviam mais de R$200 milhões para contas secretas no HSBC da Suíça, fazendo da corrupção e especulação um mercado integrado ao lobby do transporte público.

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Clique na imagem, para visualização completa.

Não é por acaso que a maioria das linhas cortadas da Zona Sul, do consórcio Intersul, são ligadas à bairros como Méier, Olaria, São Cristóvão e favela do Jacaré. O transporte dos consórcios é financiado pela tarifa por usuário e pelos moradores de regiões distantes do Centro. São os maiores pagantes, de mais de 50% do custeio desse serviço, que inclui o lucro dos empresários e dinheiro desviado para contas na Suíça. Para a prefeitura, há aumento da demanda de usuários, então o recomendado pelas empresas é cortar linhas e não aumentar a oferta, para valorizar comercialmente o serviço. Da mesma forma promovem o aumento na tarifa do metrô para R$3,70. Sabem que houve um grande aumento de usuários desse modal, que fogem do trânsito e da falta de ônibus, cortados pela prefeitura. O projeto de linha do metrô até São Gonçalo foi abortado pelo governador Pezão, substituída por um BRT, para favorecer aos consórcios. Engana-se quem pensa que a intenção é melhorar o serviço, enquanto houver mais pessoas necessitando dele. Na verdade, o transporte como mercadoria e pago por tarifas busca somente o lucro, enquanto exclui 37 milhões de pessoas, que só andam a pé, nas cidades brasileiras. A população trabalhadora, que é negra e pobre em sua maioria, segue isolada e sem ter seu direito à mobilidade urbana. O controle social e geográfico da cidade é um motivo político para a existência das tarifas. Ataca as mulheres, que são assediadas e sofrem com a falta de transporte noturno, ficando mais vulneráveis a ataques machistas. A única medida dos consórcios contra isso é colocar os vagões exclusivos, no caso da Supervia (trens) e MetrôRio. Fora isso, uma mulher alegou ter sido abusada por um funcionário do BRT Transoeste. É necessário mais ainda que as mulheres lutem pelo transporte público, como foi o exemplo de Rosa Parks contra o racismo nos ônibus dos Estados Unidos. Lembrada pelo MPL-Rio no dia internacional da mulher.

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Em Abril de 2015, a tarifa do MetrôRio aumenta para R$3,70.

O interesse em cobrar tarifas é tão forte pelos empresários, que as gratuidades são negadas de forma indireta. Elas, legalmente, deveriam ser pagas pelo município e pela secretaria de Educação, para o passe estudantil. No entanto, o prefeito Eduardo Paes colocou essa conta na atual tarifa de ônibus, reajustada para R$3,40, que cobre também a renovação de frotas, que deveria ser paga pelo município. Sendo que o monopólio de vendas de ônibus no Rio de Janeiro é do Banco Guanabara, de Jacob Barata. Novamente os empresários são poupados e os trabalhadores são penalizados. Mesmo assim, os estudantes da rede pública são atacados em seu direito à gratuidade. Pois os rodoviários negam suas viagens, por receberem ameaças de cortes salariais e punição caso ultrapassaem um limite diário de gratuidades por cada linha, estipulado pelos patrões. E também, muitos não tem conseguido renovar seus cartões de gratuidades (Rio Card) no início do ano letivo. Isso gerou iniciativas de lutas de estudantes pelo transporte em Campo Grande (Zona Oeste do Rio) e em Xerém, distrito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense do Estado do RJ.

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“Respeito ao PASSE”: estudantes de Xerém, distrito da cidade de Duque de Caxias, reivindicam o atendimento ao passe estudantil. Desrespeitado pelo governo do Estado, consórcios e prefeituras. Durante Março de 2015.

É muito necessária organização e luta nos bairros e favelas por transporte público. A prefeitura pretende instalar o BRT TransBrasil, que vai passar pela Avenida Brasil. Os reflexos já são sentidos pela favela da Maré, onde kombis e demais transportes alternativos são perseguidos. Isso gerou duas chacinas em fevereiro de 2015, quando operações da polícia militar e do exército contra esse modal promoveram fuzilamentos, contra o motorista e os passageiros. Em ambos os casos se gerou mortes, com os culpados ainda sem punição. A política de “regularização” para favorecer aos consórcios é cortar linhas, ônibus e outros modais. Fora isso, podem promover remoções de casas, como forma de promover valorização de terrenos por onde passam os modais, como tem ocorrido na Zona Oeste, com a Vila Autódromo, Vila Recreio e Vila União de Curicica. Essas sofreram remoções pela instalação dos BRTs TransOeste e TransCarioca. Uma clara aliança entre o mercado imobiliário e o lobby do transporte público. Por isso, é preciso que a luta por transporte seja constante, para que se exerça um controle popular sobre ele.

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Estudantes da rede pública fecham um viaduto em Xerém, na cidade de Duque de Caxias.

Não existe outra forma de inverter os problemas do transporte público a não ser lutando. Ou nos organizamos entre o povo, os debaixo, como trabalhadores e desempregados, que precisamos do transporte público, para ter direitos fundamentais na cidade. Ou os empresários e governos, os de cima, organizam o transporte por nós. A organização popular tem tido conquistas, como em São Paulo, com a Luta pelo Transporte no Extremo Sul fazendo pressão pela instalação de linhas e melhoria das vias. Com vitórias ou não, ela se mostra fundamental. Até para a Tarifa ZERO em Maricá (RJ), onde o prefeito prometeu instalar tal modelo em todos os ônibus até 2016, só vai ter avanços caso o povo se organize e lute. Independente de prefeituras, partidos, empresas ou instituições.

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Adesivo “CONTRA A TARIFA”, campanha nacional do Movimento Passe Livre, é encontrado pregado em ônibus na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Por uma vida sem catracas!
É o povo que tem que mandar no transporte!

Movimento Passe Livre – Rio de Janeiro

NOVA MOBILIZAÇÃO DE RODOVIÁRIOS E RODOVIÁRIAS

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Trabalhadoras e trabalhadores do transporte público estão se mobilizando para que a atual direção do sindicato SINTRATURB acate a decisão coletiva. Para que não se repita o acordo de 2014, quando o sindicato negociou com a RioÔnibus um reajuste muito abaixo do necessário e a cesta básica de 150 reais. Ano passado, isso gerou uma greve autônoma e independente do sindicato, em luta pelas suas reivindicações.  Em dois horários, a assembléia ocorrerá 10h e 15h, no GUADALUPE COUNTRY CLUB, Av Brasil 23.304 – Guadalupe/rj.

Atualmente, rodoviários estão sendo atacados por ameaças de demissão, cortes salariais e de direitos. Os editais de transporte de 2010, que garantiram os contratos de 20 anos para os atuais consórcios, não protegem em nenhuma vírgula contra a extinção de postos de trabalho. Juntando com o artigo que coloca a bilhetagem eletrônica como norma para todo o sistema, isso já garante demissões com fim da extinção de trocadores, operando a dupla-função de motoristas no lugar. Em audiências públicas, a RioÔnibus declarou que irão extinguir empregos de trocadores. Nisso, instalam a catraca dupla, que só garante mais tarifas sendo pagas e o atraso para os usuários. Sofrem cortes no salário caso violem regras deliberadas pelos patrões: como quando passageiros sobem no ônibus mas descem sem girar catraca, quando passageiros entram no lado errado diante da catraca-dupla, caso entrem sem pagar tarifa, ausência de hora do almoço, etc. E recentemente os patrões pretendem substituir o direito ao Rio Card, que promove viagens gratuitas, pelo Bilhete Único, onde irão pagar tarifa.

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O aumento na tarifa para R$3,40 foi promovido pelo prefeito Eduardo Paes, alegando o reajuste salarial dos rodoviários de 10%. Sabemos que isso é muito aquém do necessário para repor perdas salariais e de direitos nos últimos anos. O fato é que a tarifa serve somente ao lucro dos empresários, enquanto eles cortam frotas, linhas e postos de trabalho. Pois assim têm mais ônibus lotados, com mais passageiros pagando e girando a catraca, com menos gastos e menos rodoviários sendo empregados.Por isso, agora o prefeito declara que vai tirar 2 mil ônibus, depois dos 900 cortados em 2014 e menos 700 agora na zona sul. Enquanto isso, 31 empresários desviam milhões de reais para contas secretas do HSBC na Suíça. A Viação Andorinha, do Consórcio Santa Cruz, que opera na Zona Oeste, deixou trabalhadores 2 meses sem receber salário e 5 meses sem receber cesta básica, gerando uma recente greve. Essa denunciou que os patrões tiraram de circulação 160 ônibus e reaproveita peças velhas em outros novos. Isso só mostra que a intenção dos empresários é piorar o serviço para lucrar mais, cobrando tarifas dos usuários, e explorando rodoviários.

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O principal motivo da demissão e exploração de rodoviários é a existência de tarifa, onde os empresários precisam cortar ônibus e postos de trabalho, promovendo a lotação e dupla-função para lucrar mais. A proposta do Movimento Passe Livre é objetiva: é preciso acabar com a tarifa para impor a TARIFA ZERO e o controle popular. Ao contrário do que os empresários dizem e quem tem interesses em lucrar com o atual modelo de transporte, a tarifa zero não desempregaria rodoviários em função de cobrador.  Quem demite são os empresários, com interesse em cobrar mais tarifas e gastar menos. O fim das tarifas é uma forma de conquistar o controle social do transporte público, que deve ser realizado junto com rodoviários e usuários. Pois ela aumentaria os direitos trabalhistas (com a efetivação como funcionários públicos) e o corpo profissional, através do aumento das frotas e de linhas, pois na tarifa zero o que importa é a rodagem e o atendimento ao povo, não às tarifas e ao lucro empresarial. Com o controle público, quem pagaria seriam os impostos sobre os mais ricos e empresários, não a exploração dos rodoviários ou a cobrança de tarifa sobre a população. Hoje em dia, quem paga são os mais pobres, excluindo 37 milhões de pessoas, andando somente a pé. Por isso, é possível e necessária uma luta conjunta de rodoviários e usuários do transporte público.

Trabalhador(a) e usuário(a), na luta rodoviária!
Por uma vida sem exploração e sem catracas!